Ana e Vitória

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Ana e Vitória são duas jovens que mudam de Tocantins para o Rio de Janeiro, a fim de tentar uma carreira musical. Embora o trabalho esteja indo bem e o sucesso comece a aparecer, as vidas amorosas delas são repletas de incidentes.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

18/07/2018

Assistir a Ana e Vitória é uma experiência peculiar para qualquer pessoa que não seja o público-alvo do filme: é descobrir um universo à parte, um outro mundo, é desbravar referências (musicais e tecnológicas) e aguardar pacientemente que tudo acabe bem e logo. O longa, como se sabe, é protagonizado por Ana Caetano e Vitória Falcão, da dupla do momento, que atende pela fusão dos nomes, Anavitória. O filme, escrito e dirigido por Matheus Souza, é a história de duas garotas (xarás das cantoras/atrizes) que (também coincidentemente) formam uma dupla e fazem sucesso.
 
Na verdade, a trama central não é a formação da dupla de cantoras, nem o processo de criar músicas ou a escalada para o sucesso. Isso é quase coadjuvante no longa, praticamente um catalizador para o que interessa a Souza: as aventuras e desventuras amorosas de Ana e Vitória em busca do amor duradouro. O filme é também um musical, com canções sobre como é duro sofrer por amor, ou não ter a atenção da pessoa amada.
 
Tudo começa com uma festa no Rio de Janeiro, onde as duas meninas de Tocantins estão morando e tentando a sorte. Ana já canta, mas sem sucesso: nem na festa consegue uma plateia. E Vitória tenta se encontrar e, atualmente, é manicure. A parte da festa é longa – mais do que devia –, mas o que se absorve daqui é: Ana não consegue viver sem amar – atualmente namora Julia (Gabriela Nunes), mas a relação está complicada e elas meio que terminam. Aliás, a expressão “meio que” é útil ao se falar desse filme e seus personagens, porque tudo  meio que acontece, sem realmente acontecer. Nessa mesma noite, Ana conhece Cecília (Clarissa Müller), por quem se apaixona perdidamente (sem o “meio que”).
 
Vitória, por sua vez, está interessada num menino, Ricardo Guilherme (Victor Lamoglia), que não lhe dá bola, e acaba se envolvendo, só por essa noite, com Julia, para ajudar Ana. Também conhece Bruno (Bryan Ruffo), que se apaixona por ela, mas ela só quer dele a amizade.
 
Sem rumo no Rio, Ana e Vitória acabam voltando para Tocantins, gravam um clipe, mandam para um produtor famoso, Felipe Simas (Bruce Gomlevsky), que diz perceber nelas um talento raro, e acaba trazendo-as de volta para o Rio para lançar uma carreira. Isso tudo acontece de maneira rápida e en passant. Se a história das meninas é realmente assim, quem não conhece, continuará sem saber.
 
Aparentemente, o que nteressa a Souza é a fluidez dos sentimentos. Ainda assim, como retrato de geração, Ana e Vitória é interessante ao mostrar, possivelmente de maneira inconsciente, os avanços e limitações da juventude do presente. Eles têm a incrível necessidade de externar tudo o que sentem – ab-so-lu-ta-men-te-tu-do!, como diria qualquer adolescente. É uma geração que não tem medo de dizer “eu te amo”, ou “eu não gosto de você”, a cada cinco minutos – desde que seja pelo celular. Celular, aliás, mais do que um objeto de devoção que não sai da mão, é uma extensão do corpo. É um mediador de relações humanas que parecem facilitadas pela tecnologia.
 
Ana e Vitória ficam no Rio, sob os cuidados de Isa (Thati Lopes, subaproveitada aqui) e, na medida em que passam mais tempo juntas, a personalidade de uma começa a influenciar a outra, e vice-versa. Não que o filme se torne uma espécie de Persona juvenil, mas Vitória acaba se envolvendo com diversas pessoas, enquanto Ana, basicamente, sofre por Cecília. Essas idas e vindas amorosas, diz o filme, são o combustível do cancioneiro da dupla. Ana e Vitória, como atrizes, são carismáticas e naturais, mas o filme não é capaz de usar isso em seu proveito, forçando piadas desnecessárias a toda hora.
 
Assistir ao filme é como correr a timeline do Instagram: fotos de gente feliz, de gente triste, de gente sorrindo, de gente chorando, de paisagem, de show, de comida, de bicho, até começar tudo de novo. Na falta de uma narrativa coesa, Ana e Vitória se apoia na fragmentação de momentos da vida das personagens/cantoras. O resultado acaba sendo mais uma experiência antropológica superficial, sobre a juventude do presente, do que cinematográfica. 

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança