O nome da morte

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Julio Santana sai de uma família pobre no interior e vai para a cidade grande com o tio policial, sob cuja influência acaba se tornando matador de aluguel. Ao longo de 20 anos, assassina quase 500 pessoas. Quando se apaixona, cogita mudar de vida.


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Crítica Cineweb

18/07/2018

Julio Santana (Marco Pigossi) tem em suas costas quase 500 mortes – todas feitas por dinheiro, ao longo de 20 anos. Ele foi preso apenas uma vez, um deslize, mais culpa da vítima do que dele mesmo. Passou uma noite na cadeira, subornou o delegado, saiu e continuou a mesma vida. A história dele é um tanto impressionante, mas, ao mesmo tempo, não foge de muito o que já se viu no cinema sobre o assunto. O que há de mais peculiar, graças à sua parceria com a polícia (ao menos, segundo o filme), é sempre sair impune, mas este não é o foco aqui.
 
Dirigido por Henrique Goldman – co-autor do roteiro, com George Moura, baseado no livro-reportagem de Klester Cavalvanti –, O nome da morte conta a trajetória de Julio. No entanto, o longa se satisfaz em apenas narrar, sem investigar, sem entrar nas contradições sociais e históricas brasileiras (especialmente da justiça) que permitem a uma pessoa agir assim impunemente. Esse, possivelmente, seria um filme mais interessante do que o que chega ao cinema.
 
A trajetória de Julio não tem muito de peculiar, não é tão diferente de tantos filmes, novelas e séries vistas sobre matadores de aluguel. Está tudo aqui – o conflito interno, a ganância, o amor que pode redimir, a vontade de ter uma vida melhor. O nome da morte não evita nenhum dos clichês do gênero e, por isso, não consegue se sobressair. Seu protagonista é, certamente, uma figura muito mais interessante na vida real do que no cinema, mesmo com as possibilidades ficcionais que tomam algumas liberdades.
 
Julio é de uma família pobre e religiosa no interior do Brasil, de onde sai na companhia do tio policial (André Mattos, a melhor presença no filme) e vai para capital, com a promessa de entrar para a polícia e ganhar bem. Mas logo descobre que foi enganado, é preciso concurso e não há previsão de quando será aberto. O tio, sabendo da boa mira do rapaz, propõe outro negócio. O primeiro assassinato não é fácil, mas depois se torna algo corriqueiro.
 
Em um de seus trabalhos, conhece Maria (Fabiula Nascimento), com quem acaba se casando, tendo um filho, sem nunca contar para ela como ganha a vida. O tio continua sempre por perto, e é um amigo querido da família. Há uma relação de amor e ódio que aflora entre ele e o sobrinho, mas isso nunca é muito explorado no filme, até a hora que chega um grande confronto, que muda a vida dos dois.
 
Pigossi, estreando como protagonista, é esforçado, mas enquanto personagem, Julio não é bem-resolvido. É uma figura repleta de contradições, o que lhe daria densidade, mas todas um tanto gratuitas. Sua culpa cristã é o ápice disso – apenas aparece quando convém ao filme, que, em sua reta final, toma um tom meio satírico, destoando de tudo o que se viu até então. Goldman, que tem em seu currículo Jean Charles, parece fascinado pelo personagem – não é difícil de entender essa fascinação –, mas não a ponto de transformá-lo em um herói, porém, de maneira a não conseguir um certo distanciamento crítico. O protagonista reina absoluto. 

Alysson Oliveira


Trailer


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