Hilda Hilst pede contato

Ficha técnica

  • Nome: Hilda Hilst pede contato
  • Nome Original: Hilda Hilst pede contato
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Docudrama
  • Duração: 73 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Gabriela Greeb
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Nos anos 1970, seguindo pesquisas do autor sueco Friedrich Jurgensen, a escritora paulista Hilda Hilst procurou captar vozes de escritores como Franx Kafka e Clarice Lispector no além. O filme registra parte das gravações feitas por ela no período e entrevista vários dos amigos que frequentaram a Casa do Sol, onde ela morou até a morte, em 2004, em Campinas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

17/07/2018

Não se espera de um documentário sobre uma autora tão diversa e iconoclasta quanto Hilda Hilst (1930-2004) um formato acadêmico ou postura reverente. Ainda assim, a escolha feita pela documentarista Gabriela Greeb (A mochila do mascate) é arriscada, já que, no filme Hilda Hilst pede contato, entra no mundo da escritora paulista por seu lado, talvez, mais polêmico – suas tentativas, nos anos 1970, de tentar uma conexão com o além, baseada em pesquisas do sueco Friedrich Jurgensen.
 
A opção faz sentido na medida em que o filme procura aproveitar parte do material inédito, visto pela própria cineasta, na Casa do Sol, a chácara em Campinas que era a morada de Hilda – uma caixa com mais de 100 horas de gravações, documentando as tentativas da escritora de captar as vozes do “povo cósmico de outra dimensão”, à procura de colegas como Franz Kafka, Albert Camus, Clarice Lispector, Nikos Kazantzakis e outros, como o jornalista Vladimir Herzog (que ela não conheceu). Outra razão é a própria afinidade da diretora Gabriela Greeb com o realismo fantástico, tema a que dedicou três curtas.
 
A voz de Hilda nestas fitas é o componente mais material de um filme que se procura etéreo, apoiando-se na fotografia do português Rui Poças, que cria imagens de sonho, com a presença da atriz Luciana Domschke entrando na pele de Hilda, entre árvores e ambientes difusamente iluminados. O trabalho de som de outro português, Vasco Pimentel, associado à montagem de Karen Harley e à direção de arte de Renata Siqueira Bueno complementam esse esforço técnico de uma tentativa de materializar o invisível.
 
No entanto, este é um filme para iniciados – alguém que não saiba minimamente quem é a poetisa, dramaturga e prosadora sairá dele igualmente não a conhecendo, já que se trata de uma proposta radicalmente não-didática, não informativa, ainda que os amigos de Hilda leiam trechos de sua obra. Esta opção, aliás, é uma das fragilidades do projeto, ao lado desta ênfase excessiva nas experiências espirituais da autora.
 
O filme recorre a alguns dispositivos, como entrevistas de amigos de Hilda (não identificados por legendas) dentro de uma limusine, o que proporciona a sensação de uma quase viagem no tempo, uma volta à época em que conviveram com ela. Da mesma forma, um jantar na Casa do Sol, com um espaguete regado a vinho, remete à evocação da presença de Hilda, não como fantasma, mas como uma lembrança viva na pele de todos ali reunidos. Mas o filme é pouco mais do que isso, um álbum afetivo para quem, como eles, privou da intimidade da autora, menos lida e conhecida do que merece, injustiça de que ela própria se ressentia.
 
Em sua narrativa assumida e intencionalmente não-linear, Hilda Hilst pede contato emana um vago perfume da autora, leve, muito leve, apesar de algumas preciosas imagens de arquivo dessa mulher talentosa, original, bela, culta, irreverente- - como uma sequência em que ela é vista e ouvida cantando You’ll Never Know.  Por essa estatura, ela pediria um pouco mais.

Neusa Barbosa


Trailer


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