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Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Em Nalchik, norte do Cáucaso, duas famílias judias celebram o noivado de seus filhos. Quando David sai com a noiva, no entanto, os dois são sequestrados. As famílias lutam contra o tempo para reunir o resgate pedido.


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Crítica Cineweb

11/07/2018

Vencedor do prêmio Fipresci da seção Un Certain Regard em Cannes 2017, este drama de estreia do diretor russo Kantemir Balagov impressiona pela segurança, intensidade e também pela performance de duas atrizes, Darya Zhovnar e Olga Dragunova, interpretando mãe e filha.
 
Em Nalchik, norte do Cáucaso, na Rússia, em 1998, a família Koft vive modestamente no seio da comunidade judaica local. Indiferente à insistência do pai, Avi (Atrem Cipin), sua filha, Ilana (Darya Zhovnar), recusa-se a aceitar um emprego e insiste em continuar ajudando-o em sua oficina mecânica – e ela até parece mais eficiente do que ele no conserto dos automóveis. Isso implica que ela passe o dia vestida de macacão e com as mãos sujas, o que irrita particularmente sua mãe, Adina (Olga Dragunova), que sonha que a filha siga um caminho tradicional e encontre um marido.
 
O outro filho do casal, David (Veniamin Katz), acaba de noivar. Depois de muita luta, Adina consegue que Ilana coloque um vestido para o jantar deste noivado, que acontece na casa dos Koft.
 
O clima de festa, no entanto, é rompido tragicamente pela saída do casal de noivos, que não volta para casa. Em seu lugar, aparecem a jaqueta de David e uma nota de resgate. Os dois foram sequestrados e os captores exigem uma soma em dinheiro que está fora do alcance das duas famílias.
 
O talento do jovem diretor está justamente em manter esticado o fio da tensão, mantendo sua câmera em ambientes claustrofóbicos – a oficina mecânica, as casas, a sinagoga – e fixando o impacto das emoções represadas nos rostos de seus atores, mais do que nos diálogos, econômicos. De todo modo, fica claríssimo o impasse nesta corrida contra o tempo para o resgate dos dois jovens, o que requer que as famílias peçam ajuda aos demais integrantes da comunidade.
 
Um foco importante da história está no desmascaramento das aparências, expondo-se a fragilidade do pertencimento dos Koft àquele lugar. A narrativa incorpora uma outra espécie de tensão, esta de ordem étnico-religiosa, já que Ilana tem um namorado, Zalim (Nazir Zukhov), que é muçulmano.
 
Se há um rosto e um coração neste filme, trata-se de Ilana. Incansável em sua luta para salvar o irmão, ela afronta as convenções religiosas e familiares, expondo-se, em carne viva, na afirmação de sua liberdade de ser e decidir. É uma personagem feminina de uma riqueza de nuances admirável, que encontra uma antagonista de respeito em sua mãe, cujo silêncio e expressões faciais são uma nota à parte dentro da história, para definir o tipo de oposição entre as duas. Estão aqui o choque entre gerações mas também visões de mundo em total descompasso – ainda que tudo isso seja atravessado por uma peculiar forma de afeto.
 
É notável como o filme dá conta de todas essas camadas e ainda insere mais uma nota política, extremamente incômoda, ao mostrar trechos de um vídeo real, mostrando a tortura e morte infligida por extremistas chechenos a prisioneiros russos na época do célebre massacre de Dagestan.

Neusa Barbosa


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