O desmonte do monte

Ficha técnica

  • Nome: O desmonte do monte
  • Nome Original: O desmonte do monte
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 84 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Sinai Sganzerla
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Em 1560, os indígenas que viviam às margens da baía de Guanabara eram os donos da terra. Mas europeus, como os portugueses e os franceses, logo vieram disputar o território onde se ergueriam as primeiras moradias da futura cidade do Rio de Janeiro. O documentário segue a história do morro de Castelo, modelo para ocupação de terras e expulsão de populações que se prolonga até hoje no Brasil.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

04/07/2018

Marco da fundação do Rio de Janeiro, o Morro do Castelo tornou-se, ao longo dos séculos, também o símbolo de uma violenta forma de ocupação, desalojamento de populações e processos de especulação imobiliária que se tornariam, igualmente, um traço permanente na história nacional. O documentário O desmonte do monte, obra de estreia de Sinai Sganzerla, digna integrante de um clã fundamental do cinema brasileiro, mergulha nesta instigante e trágica história, dando conta de uma parte da história do país que, cada vez mais, precisa ser revista.
 
Recorrendo a uma sólida pesquisa iconográfica, que fornece a criativa mistura imagética do filme, bem como uma moldura musical, e à narração de sua mãe, a atriz e diretora Helena Ignez, a diretora percorre essa singular trajetória do morro do Castelo, escolhido pelos portugueses como local das primeiras habitações do Rio de Janeiro, no século XVI, o que acarreta a conquista do território aos indígenas que viviam às margens da baía de Guanabara, os tamoios e temiminós, acrescentando-se à luta a presença de outros invasores europeus, os franceses. O Rio de Janeiro nasce, assim, sob o signo de uma guerra pelo território e de expulsão das populações nativas que continua sempre, em outras épocas, sob outras formas e sob sempre novos pretextos supostamente portadores de progresso.
 
Virão aí a apropriação da terra pela violência, a escravidão e, por fim, sucessivos desmontes do morro do Castelo, sob alegação de melhorias urbanas que mal encobrem sua intenção especulativa em benefício de poucos. Um deles, no início do século XX, do prefeito Pereira Bastos, implica desvio de rios, aterramentos e outras intervenções drásticas, sempre com remoção dos moradores pobres, muitos ex-escravos, medidas essas documentadas em reportagens do sempre atento Lima Barreto.
 
Poucos anos depois, o desmonte continua, sob alegação de “insalubridade” – e, sobre esse momento, o filme conta com o precioso áudio dos depoimentos de moradores nascidos no morro. A aproximação do centenário da Independência, em 1922, completa a total destruição da histórica igreja e do convento dos jesuítas e do monte inteiro, através do uso de jatos d’água, precedida dos já habituais desalojamentos forçados. Além disso, o governo contraiu inclusive empréstimos internacionais para a construção no local de uma cidade, inspirada nas ruas de Paris, para uma Exposição Nacional. Qualquer semelhança com experiências vividas no Rio em alguns bairros na preparação dos Jogos Olímpicos de 2016 não será mera coincidência.
 
Recorrendo também a um primoroso uso de fotografias de várias épocas, o documentário denuncia o funcionamento de mecanismos perversos, que usam como falso argumento o “atraso” para justificar o avanço sem freios de forças econômicas sobre os mais pobres, negando-lhes sistematicamente possibilidades de inclusão.

Neusa Barbosa


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