Primavera em Casablanca

Ficha técnica


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Sinopse

Em 1982, o professor Abdallah é forçado a deixar de ensinar seus pequenos alunos em berbere, tendo que usar um árabe que eles não entendem. Ele tem um caso com a viúva Yto, mas é forçado a partir. Em 2015, Yto está em Casablanca com o filho, Ilyas, que trabalha no restaurante de Joe e Jacques, que são judeus. Mulheres, como Salima e a adolescente Ines, por sua vez, enfrentam problemas para sua afirmação.


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Crítica Cineweb

02/07/2018

Diretor franco-marroquino, Nabil Ayouch compõe, ao lado da atriz Maryam Touzani, o roteiro que entrelaça as cinco histórias do drama Primavera em Casablanca. Seu foco está em destacar diversos personagens que, de um modo ou outro, sentem-se inadequados e lutam por algum tipo de sonho ou mudança numa sociedade dividida entre as influências ocidentais vindas da colonização francesa e a renitência de um movimento fundamentalista muçulmano.
 
A história começa em 1982, numa pequena escola escondida na cordilheira do Atlas, onde um professor primário, Abdallah (Amine Ennaji), dedica-se apaixonadamente ao ensino das ciências e da literatura aos seus pequenos alunos. Ele tem um caso discreto com a viúva Yto (Saadia Ladib), mãe de seu aluno Ilyas (Mohamed Zarouki), uma das mulheres independentes da história.
 
O ano de 1982, no entanto, marca uma arabização do ensino decretada pelo governo marroquino. Agora, Abdallah tem que ensinar seus alunos obrigatoriamente num árabe que eles não compreendem, já que, até ali, todos na região se comunicavam apenas em berbere, agora proibido.
 
A história corta para 2015, em Casablanca, quando Yto (agora, Nezha Tebbai) continua sendo uma mulher diferenciada, capaz de inspirar outras, como Salima (Maryam Touzani) – que está sentindo-se sufocada pelo controle do marido, Jawad (Younes Bouab). Ele não quer que ela fume, dance ou trabalhe fora, causando uma insatisfação crescente.
 
Igualmente insatisfeita, por outros motivos, está a rica adolescente Ines (Dounia Binebine), que se ressente da solidão a que é relegada pela mãe, que a deixa aos cuidados de uma avó pouco equipada a compreender que ela não é mais uma criança.
 
No subúrbio de Medina, Hakim (Abdedilah Rashid) enfrenta o preconceito do pai diante de sua luta para tornar-se um roqueiro pop, profundo admirador de Freddie Mercury – o que insere, sutilmente, uma nota sobre o preconceito contra o homossexualismo na sociedade.
 
Finalmente, tem-se Joe (Arieh Worthalter), dono de um restaurante de sucesso, que tem que lidar com a depressão crescente do pai, Jacques (David El Baz), que teme o crescimento das restrições a eles, já que são judeus. Por conta dessa diferença, Joe não pode ter esperanças de manter um relacionamento amoroso aberto, já que até prostitutas o rejeitam ao descobrir sua religião.
 
Paralelamente a estas histórias individuais, vê-se que crescem as manifestações pelas ruas, cada vez mais virulentas, que formaram as famosas “primaveras” do mundo árabe há dois ou três anos atrás, motivadas pelo desejo de mudanças e protagonizadas por jovens abalados pelo desemprego e a falta de perspectivas. Tudo isso, no entanto, percorre o filme como um contexto em que os personagens não se envolvem diretamente.
 
É sempre interessante entrar em contato com filmografias de países para nós tão distantes quanto o Marrocos, partindo de um diretor que tem um olhar atento para algumas questões candentes naquela sociedade, como a posição das mulheres – que igualmente ele explorou em seu trabalho anterior, Muito Amadas (2015).
 
De algum modo, funciona sua opção pelo mosaico de uma sociedade visivelmente multifacetada e dividida, embora seja de se lamentar que Nayoub não inclua uma ligação pelo menos de algum desses personagens com essa ebulição das “primaveras”. Mas certamente são positivas suas críticas contra o fundamentalismo religioso e a intolerância com as diferenças.

Neusa Barbosa


Trailer


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