Hannah

Ficha técnica


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Sinopse

Hannah é uma mulher madura, moradora em Bruxelas, cujo marido vai preso. Isto está no centro de um drama familiar para Hannah, que afunda cada vez mais na negação e na solidão.


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Crítica Cineweb

02/07/2018

Charlotte Rampling é o tipo de atriz em cujo rosto se pode ler todas as nuances de uma história. Poucos atores podem dar tanta dignidade à tristeza sem recorrer a um calvário de lágrimas – o sentimento transmitido por ela é enxuto, preciso, como no fio de uma lâmina. É o que acontece especialmente no drama Hannah, segundo filme do diretor italiano Andrea Pallaoro, que valeu à veterana intérprete inglesa o prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza 2017.
 
Co-autor do roteiro ao lado de Orlando Tirado, o diretor opta por uma narrativa minimalista que radiografa uma implosão – e o termo cabe pela economia da história, que sonega informações aos espectadores, preferindo acompanhar a auto-combustão emocional de sua protagonista em carne viva.
 
Hannah (Charlotte Rampling) é uma mulher simples, moradora de Bruxelas. A primeira descoberta sobre ela é que frequenta um curso de teatro amador, uma rara ocasião de alguma expressão pessoal para ela. De volta a casa, descobre-se que tem um marido (André Wilms), com quem troca pouquíssimas palavras. Durante o jantar, diante da televisão, praticamente não se ouve a voz de nenhum dos dois.
 
No dia seguinte, ele se demora acariciando o cachorro da casa, num raro ritual de afeto, que prepara uma despedida. Pouco depois, Hannah acompanha o marido a uma prisão, onde ele permanece. A razão deste encarceramento, centro de um grande drama familiar, será revelada aos poucos e, ainda assim, não completamente – fazendo o espectador participar de uma espécie de jogo de negação do qual Hannah é a principal participante.
 
Ela trabalha como empregada de uma família rica, cujo filho é um menino deficiente visual – e a quem Hannah dedica seus mais expressivos momentos de carinho – traduzindo um mecanismo de substituição familiar para ela, contra sua vontade afastada do filho (Simon Bisschop) e do neto (Gaspard Savini).
 
A linguagem do filme é construída praticamente sem palavras, acompanhando os atos cotidianos de Hannah, em quase completo isolamento, o que leva a compartilhar sua dolorosa tomada de consciência das consequências de sua atitude diante do provável crime do marido. Não é um filme pleno de acontecimentos ou reviravoltas, mas muito consciente de seu tempo, que é longo, penoso, como a solidão de Hannah, numa dramaturgia talvez esparsa demais. No entanto, contar com uma intérprete do quilate de Charlotte Rampling resolve não só muitos dos impasses como vence a resistência que se possa ter diante das opções do diretor. A atriz dá à sua Hannah a exata dimensão de sua humanidade fraturada. 

Neusa Barbosa


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