Uma casa à beira-mar

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Locais de filmagem


Sinopse

Três irmãos, Angèle, Joseph e Armand, distantes há tempos, reúnem-se na velha casa familiar quando seu pai sofre um derrame e fica em estado vegetativo. O reencontro é não só uma chance de rever o passado como de viver novos encontros.


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Crítica Cineweb

02/07/2018

Robert Guédiguian volta-se sobre a própria – extensa e qualificada – filmografia para compor um novo filme, Uma casa à beira-mar, em que se mostra capaz, mais uma vez, de unir o intimista ao social e político sem perder o foco no que é humano, profundamente humano. O filme competiu no Festival de Veneza e também no de Toronto de 2017.
 
Tem um certo clima de Tchecov a história desta família. Seus protagonistas são três irmãos, Armand (Gérard Meylan), Joseph (Jean-Pierre Darroussin) e Angèle (Ariane Ascaride), que estão separados, mas voltam a reunir-se na velha casa de colina no litoral de Marselha quando seu pai (Fred Ulysse) sofre um derrame e fica em estado vegetativo. Agora, os três irmãos devem decidir o que fazer com a propriedade, o sonho na vida do pai, construído por ele e amigos, onde funciona um pequeno restaurante.
 
Esta casa singular, impregnada da história familiar e marcada por uma tragédia, anos atrás, torna-se igualmente uma metáfora da própria França e seu passado, que é romantizado na visão dos três irmãos maduros, mas também confrontado pelos novos valores das novas gerações – representadas por Berangère (Anaïs Demoustier), a jovem namorada de Joseph, o pescador Benjamin (Robert Stevénin) e Yvan (Yann Trégouët), o filho do velho casal de vizinhos, Suzanne (Geneviève Mnich) e Martin (Jacques Boudet).
 
Essa França mítica que mora dentro de cada um e encara as dúvidas do presente a partir de sua bucólica colina – simbolicamente, debaixo de um velho aqueduto romano – avista, igualmente, a chegada de refugiados pelo mar. Um tema a que o roteiro, assinado por Guédiguian e Serge Valletti, dedica um capítulo inquiridor e também humanista, sem querer dar conta de todos os aspectos da questão.
 
De todo modo, Uma casa à beira-mar é uma aposta tanto na sensibilidade do espectador para seguir estas histórias individuais cheias de detalhes com a calma devida para absorver um momento de revisão, de rearrumação, na vida de todos eles. Não faltam, neste processo, preciosos encontros e momentos de amor e de humor unindo as pontas cortadas pela melancolia e a ironia. Por tudo isso, um filme de Guédiguian se parece tanto com um trecho da vida, que remete a uma obra de Ingmar Bergman, pelo entrelaçamento das relações humanas, mas é conjugado em outra temperatura, pelo sangue latino envolvido aqui, recoberto pelo cálido sol marselhês.
 
Faz muito sentido, portanto, que o filme francês tenha sido produzido pela trinca de chilenos Juan de Diós Larraín e os também diretores Pablo Larraín e Sebastian Lelio – responsáveis por alguns dos melhores títulos do cinema mundial recente, caso de Desobediência e Uma mulher fantástica (de Lelio) e Jackie, Neruda e O Clube (de Larraín).

Neusa Barbosa


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