Benzinho

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Irene e Klaus são os pais de quatro filhos que lutam com dificuldade para mantê-los numa cidade do interior do Rio. Eles vivem numa casa caindo aos pedaços, aonde têm que acolher Sônia, a irmã de Irene que fugiu do marido abusivo, e seu filho. Um dia, o filho mais velho recebe o convite para jogar handebol na Alemanha e a delicada ordem familiar sofre um abalo.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

21/06/2018

Coprodução entre Brasil e Uruguai que já rodou diversos festivais pelo mundo, começando pela competição em Sundance e conquistando prêmios em Portugal e na Espanha, Benzinho renova a parceria entre o diretor Gustavo Pizzi e a atriz Karine Teles, que começou em Riscado (2010).
 
O encontro, que culminou em casamento – hoje desfeito - e no nascimento de gêmeos, forneceu também memórias que alimentaram o roteiro de Benzinho, assinado a quatro mãos pelo diretor e pela atriz.
Como em Riscado, o filme começa entrando num processo de acontecimentos em curso, dando a impressão de que a câmera está surpreendendo momentos da vida. Quem está em foco é uma família de classe média, o casal Irene (Karine Teles) e Klaus (Otávio Müller), seus quatro filhos, a irmã dela, Sônia (Adriana Esteves), separada do marido abusivo (César Troncoso), e o filho destes dois, Thiago (Vicente Demori).
 
O clã, de várias maneiras, é um retrato do Brasil atual, remediado, sobrevivendo de bicos e atividades mal-remuneradas. Klaus tem uma pequena livraria e xerox. Irene e a irmã vendem comida e lençóis numa Kombi. A casa onde moram é o retrato da penúria, exibindo rachaduras, torneiras vazando, fechaduras emperradas, tudo no limite do tolerável.
 
Neste ambiente economicamente precário, no entanto, não faltam nem comida nem afeto. Klaus e Irene são pais atentos, assim como Sônia com seu filho. Neste contexto, a notícia de que o filho mais velho do casal, Fernando (Konstantinos Sarris, que é grego e estreante em cinema), está partindo para a Alemanha para jogar handebol deflagra uma crise no centro da família.
 
O epicentro da crise, na verdade, explode em Irene, que tem poucos dias para acostumar-se com a ideia da partida do filho. Ela encarna a contradição da alegria pela perspectiva de sucesso dele, contrastando com a sua dor diante da separação. Ao mesmo tempo, o casal precisa tomar inúmeras providências para que o rapazinho parta, como a sua emancipação.
 
Figura de mãe matizada e complexa, Irene é também o símbolo de uma discreta ascensão social – dois aspectos que este filme compartilha com Que Horas Ela Volta?, em que Karine figura no elenco. Quando garota, trabalhou como doméstica numa casa e só agora, entrando na meia-idade, conseguiu diplomar-se no ensino médio – um marco que ela sente necessidade não só de comemorar como de ostentar, diante da própria ex-patroa do passado.
Nenhum destes movimentos, no entanto, perde de vista a sutileza. Benzinho é, desde seu título, um filme que aspira à delicadeza de sentimentos sem perder de vista a brutalidade do cotidiano dos brasileiros remediados, sempre no limite de suas economias e de suas forças, tropeçando nos restos de sonhos que eles, apesar de tudo, insistem em reconstruir.
 
Por conta desta ênfase em situações comuns, ainda que encenadas de maneira nada óbvia, o filme cresce em densidade. A naturalidade das situações de família, inclusive as muitas cenas com as crianças, é garantida, também, por Karine contracenar com os próprios filhos: os gêmeos Arthur e Francisco, filhos do diretor Pizzi, e Luan Teles, intérprete do filho do meio, Rodrigo. Isto soma um traço documental mas nada disso funcionaria se não houvesse, em torno dele, uma firme estrutura dramática a sustentá-lo e expandi-lo. E as atuações, particularmente de Karine, Adriana e Otávio, são notas altas dentro desta fina melodia.

Neusa Barbosa


Trailer


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