A noite devorou o mundo

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Ao acordar de uma festa, Sam descobre que Paris está tomada por zumbis, mas ele consegue se fechar num apartamento para se proteger. O tempo passa e nada muda, até a chegada de uma outra jovem que também não foi infectada.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

20/06/2018

A noite devorou o mundo é um longa francês de zumbis. E isso já basta – ou bastaria – para o definir: enfim, é um filme com mortos-vivos metido a filosófico e existencialista. É como se Walking dead fosse reescrito por algum filósofo pedante. Gostar ou não depende do nível de tolerância e apreço que cada pessoa tem por esses elementos juntos ou separados. É preciso aguentar pouco mais de uma hora e meia de um personagem sem carisma trancado num apartamento, silenciosamente elucubrando sobre a vida e o mundo pós-seja-lá-o-que-for que dizimou a humanidade.
 
O filme começa com Sam (Anders Danielsen Lie) indo ao apartamento da ex-namorada (Sigrid Bouaziz) pegar umas fitas cassete que deixou com ela. Chegando lá, descobre que está dando uma festa e ela insiste para que ele fique. Ele não quer, ele se estranha com o atual namorado dela, mas vai para o quartinho dos fundos para pegar seus pertences e acaba dormindo. Quando acorda, descobre que as poucas pessoas do apartamento viraram zumbis. Ele consegue se fechar sozinho lá dentro, sendo o único não contaminado.
 
A partir daí, Sam tem o prédio para si e desenvolve estratégias de sobrevivência, conseguindo manter todos os zumbis do lado de fora – exceto um (Denis Lavant), que fica preso no elevador, a quem batiza de Alfred, e o trata como animal de estimação. O filme passa, então, a acompanhar o protagonista e sua jornada solitária pela sobrevivência no prédio.
 
Sabemos pouquíssimo sobre esse homem – ele gosta de música desde a infância (as fitas revelam isso), mas ele é músico? Em momentos de solidão, usando utensílios de cozinha e afins, faz músicas, à la Stomp (aqueles músicos que batem em latas de lixo para obter som). O filme não diz praticamente nada sobre a vida pregressa dele. O que sabemos certamente é que ele é pouco curioso – mesmo com mundo transformado em zumbi, ele não se interessa em ligar a televisão (nos primeiro dias, ainda há energia elétrica), ou um rádio, ou usar a internet, num dos inúmeros smartphones que ele encontra nos casacos dos convidados da festa.
 
Baseado no romance homônimo de Pit Agarmen e dirigido por Dominique Rocher, o filme é tecnicamente impecável, mas o problema é que não tem absolutamente nada a dizer. Não funciona como terror, e, aparentemente, nem é o objetivo aqui, nem como sátira sobre o mundo contemporâneo, muito menos como drama, porque não diz nada de minimamente novo ou relevante sobre a condição humana. 
 
Sam terá uma nova companhia com a chegada de uma mulher (Golshifteh Farahani) que também ainda não foi zumbificada. Mas talvez ela não tenha muito a fazer pelo personagem ou o filme. Mais sorte teria se tivesse se transformado num zumbi e evitado a companhia soporífera de Sam. 

Alysson Oliveira


Trailer


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