Mulheres alteradas

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Sinopse

Quatro mulheres em momentos críticos de suas vidas: uma advogada que está cuidando do maior caso de sua carreira e acaba se apaixonando; sua assistente, que quer salvar o casamento em crise; uma mãe de duas crianças pequenas sem tempo pra nada; e sua irmã, que acha que está na hora de ter filhos.


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Crítica Cineweb

20/06/2018

Desde a adaptação de Gatão de meia idade, e lá se vai mais de uma década, o cinema brasileiro parece não ter aprendido nada muito como levar tirinhas para o cinema. Existe uma questão que deve ser superada nesse tipo de transposição: os personagens originais são planos, suas historinhas curtas, e o cinema depende exatamente do contrário.
 
Mulheres alteradas, sob a direção de Luis Pinheiro e com roteiro de Caco Galhardo, sofre exatamente desses mesmos problemas. Suas personagens são planas com duas dimensões como as figuras originais desenhadas nas tirinhas da argentina Maitena. Talvez a ideia fosse fidelidade ao original, mas o preço é um filme povoado de gente caricaturada.
 
O longa começa como uma série de lista do site Buzzfeed, apresentando as personagens: Marinati (Alessandra Negrini), uma advogada metódica e obcecada com a vitória; Keka (Deborah Secco), sua assistente desesperada para salvar seu casamento com Dudu (Sérgio Guizé); Leandra (Maria Casadevall), uma baladeira que gostaria de experimentar a vida caseira de sua irmã Sônia (Monica Iozzi), mãe de dois filhos pequenos que não consegue fazer mais nada a não ser cuidar deles e gostaria de ter uma noite de curtição.
 
Essas personagens renderiam um filme, se suas histórias e elas mesmas fossem mais trabalhadas o humor, mais afinado. As situações cômicas não acontecem e o que o filme tem a dizer sobre a condição e o papel da mulher na sociedade contemporânea parece um tanto envelhecido.
 
Keka e Dudu viajam para um resort na Bahia, onde ela tenta reconquistar o amor dele. Estranhamente, chegando lá, encontra sua chefe, que acaba se apaixonando por um galanteador (Daniel Boaventura) e fica totalmente imbecilizada. As melhores situações do filme vêm das brigas de Keka e Dudu entre si e também contra um casal esnobe hospedado no mesmo lugar, com quem disputam cadeira de praia. É engraçado, mas se repete até perder a graça.
 
As personagens Leandra e Sônia, por sua vez, parecem um apêndice inserido de última hora para o filme completar 90 minutos obrigatórios. Tanto que suas histórias se resolvem na metade do filme e elas somem completamente, reaparecendo apenas no final. Iozzi é comprovadamente engraçada, mas aqui não tem chance de desenvolver qualquer tipo de humor, vivendo uma figura mal desenvolvida.
 
Talvez, no fundo, o problema maior seja uma dissonância entre o tom das interpretações e os personagens caricatos. Esse é o tipo de filme que não pede atuações naturalistas e a maioria das atrizes está neste registro. Negrini começa assim e, no meio do caminho, se transforma numa figura exageradamente caricata, fazendo caras e bocas, mas aí já é tarde. A única que parece, ao menos, se divertir aqui é Deborah Secco, que extrai algo de sua Keka e gera simpatia. 

Alysson Oliveira


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