Sicário: Dia do Soldado

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 2 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Um atentado terrorista num supermercado é o estopim para uma ação do governo americano que visa começar uma guerra entre os cartéis de drogas mexicanos, para evitar o tráfico de pessoas na fronteira entre os países.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

19/06/2018

Embora a imigração de mexicanos para os Estados Unidos e o tráfico humano sejam assuntos atemporais, Sicário: Dia do soldado ganha força com as manchetes recentes sobre os lances mais drásticos dessas questões diante da política de tolerância zero do governo de Donald Trump. O filme, novamente escrito por Taylor Sheridan, e agora dirigido por Stefano Sollima (substituindo Denis Villeneuve), tem ao centro essa questão premente e, embora, obviamente, tenha sido escrito há bastante tempo, seu roteiro parece ter sido pensado na semana passada.
 
No filme anterior, de 2015 (Sicário: Terra de Ninguém), a questão central era o tráfico de drogas na fronteira dos dois países. Ninguém é inocente, nem sai impune, parecia dizer o longa. Aqui, os entorpecentes são substituídos por seres humanos. Conforme diz Matt Graver (Josh Brolin), um agente de campo da CIA, traficar pessoas é menos custoso (não é preciso cultivar, nem processar) e, por isso, mais lucrativo.
 
O ponto de partida é um grupo de terroristas que se explodem e, junto com eles, um supermercado repleto de gente. O governo dos EUA – na figura do secretário de defesa interpretado por Matthew Modine – avisa os agentes da CIA que “o presidente está incluindo cartéis de tráfico na lista de organizações terroristas”, assumindo que os homens-bomba entraram no país pela fronteira com o México. Com ajuda de Matt, cria um plano para ser estopim da guerra entre os cartéis, sem que o envolvimento do governo dos EUA seja descoberto.
 
O plano consiste em sequestrar Isabel (Isabela Moner), a filha adolescente de Carlos Reyes, um dos chefões do tráfico, e jogar a culpa no cartel rival. Ela também é filha do homem responsável pela morte da família de Alejandro (Benicio Del Toro), acima daquele outro chefão de que ele se vingou no filme anterior. Há, portanto, um componente muito pessoal em seu envolvimento no plano.
 
Do outro lado da fronteira, Sicário: Dia do soldado acompanha a ascensão de um garoto de 14 anos no mundo do crime. Trata-se de Miguel (Elijah Rodriguez), detentor de dupla cidadania, cuja prova de fogo é ajudar um traficante de pessoas a colocar um grupo de imigrantes ilegais nos EUA.
 
Aqui não existe uma linha clara que separe mocinhos de vilões. Ninguém sai limpo – nem a adolescente Isabela, cuja primeira cena no filme é em sua escola católica, espancando uma colega que a chamou de “filha de traficante”. A garota é apresentada como uma jovem mimada – ela mora sozinha numa casa de 30 cômodos e repleta de empregados –, cujo status e bens vêm das vidas e famílias que os negócios de seu pai destruíram.
 
Embora menos sofisticado do que o filme de Villeneuve, o longa de Solima é algo raro em Hollywood, um filme de ação com cérebro. Suas tramas – embora haja excessos no meio – forjam uma dinâmica de explorados e exploradores que nunca é cristalizada. Ninguém é unicamente bom (mas alguns são exclusivamente maus). Mais do que uma sequência, o filme pode indicar um novo caminho para onde o(s) próximo(s) longa(s) da série pode(m) seguir. 

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança