Auto de resistência

Ficha técnica

  • Nome: Auto de resistência
  • Nome Original: Auto de resistência
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 104 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Natasha Neri, Lula Carvalho
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Acompanhando a investigação de inúmeros casos de mortes praticadas por policiais, alegando legítima defesa, o documentário oferece dados impressionantes sobre fraudes, adulteração de cenas de crime e falsas imputações de crimes às vítimas mortas. Além de estatísticas assustadoras sobre a letalidade policial no Rio de Janeiro.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

19/06/2018

Este documentário urgente e imprescindível empresta seu nome da alegação comum, fornecida por policiais, como justificativa para matarem – equivalente a uma legítima defesa, porque estariam revidando um ataque anterior. A análise minuciosa do filme, dirigido por Natasha Neri e Lula Carvalho, de inúmeros casos, investigados ou arquivados pela justiça, no entanto, põe em cheque esse discurso, identificando um fenômeno assustador, que expõe um verdadeiro massacre contra jovens pobres e negros da periferia do Rio de Janeiro. E que, aliás, está longe de limitar-se àquele estado.
 
Os números são assustadores: entre 1997 e 2017, a polícia carioca matou cerca de 16.000 pessoas com base nesses “autos”. Em 2017 apenas, a média de mortes foi 3 por dia. São cifras que equivalem a uma guerra civil, um genocídio, expondo, como define o deputado Paulo Ramos, “a lógica de guerra” na política de segurança do estado.
 
Vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival É Tudo Verdade 2018, o filme consegue ser abrangente ao colocar-se a campo escudando-se numa investigação que não deixa de fora nenhum dos lados envolvidos. São ouvidas as mães das vítimas das incontáveis chacinas registradas pela imprensa, jovens que escaparam de alguma delas, juízes, promotores, advogados e mesmo alguns policiais, quando estes aceitam declarar alguma coisa – o que é raro. Alguns depoimentos de policiais envolvidos nestes casos são vistos em filmagens de tribunal, quando foram autorizadas.
 
Reforçam esta contra-narrativa do filme algumas imagens, colhidas por câmeras de segurança ou celulares de testemunhas secretas de algumas destas mortes, que são estarrecedoras, por atestarem a adulteração das cenas de crime, com policiais vistos colocando armas nas mãos de vítimas já mortas para configurar uma resistência que não houve.
 
As investigações, quando vão adiante, transcorrem lentas, atravancadas por adiamentos, falta de perícias técnicas, falta de testemunhas, falta de provas, o que, não raro, leva ao arquivamento de 98% delas, a pedido do Ministério Público e do Tribunal de Justiça – evidenciando a omissão oficial diante de um índice de violência policial muito superior ao bom senso e, além de injustificável, absolutamente inócua como medida de controle social.
 
Muitas imagens contundentes vêm da CPI, realizada pela Assembléia Legislativa carioca entre 2015 e 2016, que teve como relator o deputado Marcelo Freixo (PSOL) – e cuja assistente, vista no filme, era Marielle Franco, depois vereadora, assassinada em março de 2018. A imagem de Marielle, morta por pessoas até agora não identificadas, é mais um grito eloquente em favor de uma drástica mudança de rumo na política de segurança e na política social do país, diante da “normalização” de índices de barbárie com que ninguém, em sã consciência, pode compactuar.

Neusa Barbosa


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