Ilha dos cachorros

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

No Japão de um futuro distópico, os cachorros são isolados numa ilha por causa de uma gripe canina. Akira é um garoto de 12 anos que não se conforma com a perda de seu cão, Spot, e vai resgatá-lo. Com a ajuda de outros animais, desvenda uma conspiração política.


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Crítica Cineweb

15/06/2018

É muito fácil tomar os filmes de Wes Anderson por pura diversão e excentricidade. O colorido pastel, os personagens excêntricos, as situações bizarras, a trilha sonora indie, tudo colabora para estabelecer um clima de melancolia cinematográfica. Mas o que talvez passe um tanto batido é a dimensão política, a crítica que seus filmes lançam a um mundo cada vez mais opressor como o nosso. Seu primeiro sucesso, Os excêntricos Tenenbaums, por exemplo, é protagonizado por uma família de gênios. Todos são brilhantes e se superam em suas áreas. Os filhos crescem repletos de problemas emocionais com os quais não conseguem lidar.
 
A política, sutilmente, se embrenha nas fissuras pessoais, consumindo os personagens nos filmes de Anderson. Em sua nova animação, Ilha dos cachorros, isso chega de forma mais explícita. O mote é uma ilha, num Japão futuro e distópico, onde um prefeito (voz de Kunichi Nomura, que também co-assina a história do filme) decreta que os cães sejam isolados por conta de uma “gripe canina”, perigosa e contagiosa. Sozinhos, sem comida ou proteção, os animais se organizam e tentam sobreviver conforme podem, a partir de sobras de lixo.
 
Pouco depois, chega lá um garoto de 12 anos, Atari (Koyu Rankin), que vai em busca de seu cachorro Spot (Liev Schreiber), seu amigo e guarda-costas treinado. O menino é sobrinho do prefeito Kobayashi e é recepcionado por um grupo de cães, composto Rex (Edward Norton), que sente saudades das tardes ao lado da lareira; Boss (Bill Murray), ex-mascote de um time de basebol; King (Bob Balaban), mascote-propaganda de uma marca de biscoitos caninos; e Chief (Bryan Cranston), um cão de rua que não se junta a bandos, nem obedece a ordens de ninguém e é bom de briga.
 
Com a ajuda dos cães, que falam entre si (mas cuja fala Atari não compreende), o menino procura seu cachorro, mas acaba descobrindo algo maior: uma conspiração política. Enquanto isso, seu tio, na fictícia Megasaki City, busca comoção pública e apoio político pelo desaparecimento de seu sobrinho, de quem é guardião desde a morte dos pais.
 
Anderson – que assina a trama com Roman Coppola, Jason Schwartzman e Kunichi Nomura – assumidamente faz uma homenagem ao cinema de Akira Kurosawa, especialmente Homem mau dorme bem, de 1960. E, não por acaso, o prefeito corrupto foi criado com os traços de Toshiro Mifune. Se a essência do cineasta japonês está de ponta a ponta no filme, no entanto, é o cinema de Anderson que o governa mesmo. As situações tornam-se cada vez mais inacreditáveis (é preciso tirar o chapéu para os escritores aqui, pois nada é previsível neste filme) e os personagens, mais excêntricos – desde os cachorros (são vários e raramente iguais) até os humanos (o que dizer de uma cientista dublada por Yoko Ono?).
 
O espírito de rebeldia surge, como em outros filmes do diretor, como a força contra o conformismo e a opressão. Primeiro é Atari, que se rebela com seu jeito pensativo e de poucas palavras; depois, uma estudante de intercâmbio norte-americana, Tracy (Greta Gerwig), que incita outros jovens a rebelar-se contra a atitude ditatorial de isolar os cães. A personagem, aqui, no entanto também poderia levantar um debate entre apropriação e apreciação cultural – afinal, ela pode ser vista como uma garota ocidental ensinando os japoneses a se rebelarem. Mas ela e Atari são colocados em pé de igualdade no sentido da rebeldia.
 
De qualquer forma, Anderson faz uma homenagem ao cinema japonês, tanto na condução da narrativa, como, especialmente, na trilha sonora, assinada pelo francês Alexandre Desplat, forte em seus sons extraídos de tambores Taiko. O diretor, premiado em Berlim pelo filme, retoma a técnica de stop-motion, que usou em sua animação O fantástico Sr. Raposo (2009) e se supera aqui na riqueza de detalhes na construção dos personagens e cenários, bem como nas situações insólitas. 

Alysson Oliveira


Trailer


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