O caminho dos sonhos

O caminho dos sonhos

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Um grupo de personagens e dois momentos na história da Europa, são o ponto de partida desse drama minimalista dirigido por Angela Schanelec.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

06/06/2018

O caminho dos sonhos não é para quem gosta de seus filmes com narrativa. Nem para quem prefere assistir a filmes com desenvolvimento de personagens. Muito menos àqueles que preferem um filme inteligível. O caminho dos sonhos talvez nem seja um filme, mas uma experiência dentro de uma sala de cinema, e, como tal, requer um público disposto a se entregar a ela. Talvez seja necessária familiaridade com o minimalismo elevado à enésima potência da diretora e roteirista alemã Angela Schanelec, cuja filmografia inclui Uma tarde qualquer e A minha vida lenta.
 
Aqui, a questão central não poderia ser mais urgente: fluxos imigratórios na Europa. O filme começa na Grécia, em algum momento em meados dos anos de 1980, quando o continente Europeu parece colapsar com o fim da URSS. O filme, então, se rompe no tempo e avança algumas décadas. Isso não fica claro, e é necessária uma dose de intuição para se chegar a essa conclusão. Mas os personagens mantêm a mesma roupa – o que, estranhamente, ajuda um pouco na (tentativa de) compreensão do que está acontecendo na tela.
 
Theres (Miriam Jakob) é uma alemã na Grécia que conhece o inglês Kenneth (Thorbjörn Björnsson). Com a mãe dele gravemente doente, ele volta para a Inglaterra, e também reencontra o pai. E o filme acompanha as histórias dos dois (às vezes em flashbacks que não se anunciam), por algum tempo. Uma segunda história, na Berlim contemporânea, é protagonizada por Ariane (Maren Eggert), uma atriz, seu marido antropólogo, David (Phil Hayes), e a filha de 10 anos, Fanny (Anaïa Zapp).
 
Como o título parece indicar (muito sobre esse filme deve ser pensado e dito na chave da suposição), as idas e vindas no tempo e espaço mapeiam a transformações dos sonhos, mas não dos personagens, e, sim, de todo um continente. A ruptura do final dos anos de 1980 – especialmente aqui marcada pela Queda do Muro de Berlim – como, cinicamente disse o economista americano Francis Fukuyama, marca o Fim da História, ou seja, o fim de outras narrativas que não a capitalista. Schanelec é inteligente o bastante para não comprar essa ideia, e investigar as vidas que se esvaziam diante das possibilidades em um mundo cada vez mais fragmentado. O grande problema aqui é que seu interesse não parece ser dialogar, mas apenas mostrar devaneios estéticos – e, nesse sentido, que efeito seu filme consegue alcançar? 

Alysson Oliveira


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