Vingança

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Durante uma viagem com seu amante numa região desértica, uma jovem é estuprada por um amigo dele. Mais tarde, eles tentam a matar, mas a moça resiste volta para se vingar.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

06/06/2018

O filme francês Vingança traz um certo diferencial em relação à maioria dos representantes do gênero: é protagonizado por uma mulher que quer dar cabo do homem que a estuprou e o outro que a matou. Não se trata de algo sobrenatural, no entanto. É preciso embarcar no longa de estreia de Coralie Fargeat como uma fantasia, pois se observado pelo prisma do realismo, não fará muito sentido.
 
A protagonista e anjo vingador é Jen, interpretada por Matilda Lutz, uma jovem americana que vai passar o final de semana com o amante francês, Richard (Kevin Janssens), numa mansão isolada no meio do deserto – tanto que só se pode chegar lá de helicóptero. O que era para ser alguns dias de puro deleite, se transforma em terror com a chegada de dois amigos dele, Stan (Vincent Colombe) e Dimitri (Guillaume Bouchède), com quem irá caçar.
 
De imediato, Dimitri se interessa por ela. E não para de se insinuar, especialmente quando Jen dança sensualmente. Na manhã seguinte, com a ausência de Richard, o sujeito vê sua chance. Mesmo com as negativas da garota, acaba avançando e a estupra.
 
Esse é o ponto de transformação do filme que, a partir daí, se torna uma enxurrada crescente de sangue. Jen é vista como um objeto descartável, e sua “morte” envolve um outro tipo de penetração, o que se torna simbolicamente revelador dentro do filme, que acompanha a transformação de uma garota ingênua em heroína de si mesma.
 
Fargeat, obviamente, sabe que seu filme toma licenças com o realismo, e sua intenção parece ser essa mesma, trabalhando no campo simbólico, tomando para si um gênero tipicamente masculino – o da vingança para si e sua protagonista. No gênero, até filmes nos quais um abuso contra uma mulher é o ponto de partida, a revanche geralmente é orquestrada e realizada por um personagem masculino – um exemplo recente, é o premiado iraniano O apartamento. Em Vingança, o protagonismo é todo de Jen que, com instinto e força de sobrevivência, revida.
 
A diretora, que também assina o roteiro, sabe com o que está lidando e coloca em seu filme todos os elementos típicos. Sua questão não é modificar os princípios, mas o que está acima deles. Assim, acaba transitando entre o conformismo e a subversão. Seu filme incomoda – mas, a questão que fica é: incomoda pelas coisas certas? Pela violência causada contra uma mulher ou pela profusão de sangue? 

Alysson Oliveira


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