Dedo na ferida

Ficha técnica

  • Nome: Dedo na ferida
  • Nome Original: Dedo na ferida
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2017
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 91 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Silvio Tendler
  • Elenco:

Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 3 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Através de diversas entrevistas e pesquisas, o documentário investiga as causas e efeitos da maciça financeirização da economia mundial a partir de 2008 e seus pesados efeitos sociais e políticos em vários países, inclusive o Brasil.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

29/05/2018

A maciça financeirização do mundo e seus efeitos nefastos, como o empobrecimento da população e o desmonte da democracia, estão no centro do documentário Dedo na Ferida, assinado por Sílvio Tendler.
 
Quem conhece o trabalho do veterano documentarista, autor da trilogia Os anos JK (1981), Jango (1984) e Tancredo: a travessia (2010) sabe que pode esperar uma narrativa ao mesmo tempo engajada e muito substancial, amparada em entrevistas que vão do cineasta greco-francês Constantin Costa-Gavras ao ex-ministro grego Yanis Varoufakis, passando por economistas, líderes sindicais e de movimentos sociais que pertencem, de todo modo, ao espectro da esquerda.
 
Esta opção, em todo caso, parece fazer todo o sentido, já que o mundo, a partir de 2008, ano do rompimento da bolha do sistema financeiro, está atolado numa crise sem fim – um termo, aliás, renegado pela professora espanhola Maria José Fariñas Dulce, da Universidade Carlos III, que sustenta que não se trata de uma crise e sim de “um plano ideológico” essa imposição de uma austeridade econômica que liquida políticas sociais e desregula o trabalho em sucessivos países. Yanis Varoufakis, o ex-ministro das Finanças da Grécia, que o diga.
 
Aponta-se o parentesco de 2008 com a crise de 1929, por seus efeitos globais e igualmente demolidores – em que se incluem a hipertrofia de uma elite financeira internacional desenraizada, com poder de dominar a economia mundial num sentido especulativo, em detrimento da produção e do trabalho. Difícil negar que é esse quadro aterrador que se enxerga da Espanha à Grécia, dos EUA ao Japão, do Brasil a Bangladesh.
 
Essa retirada de uma massa formidável de recursos da economia real em prol dos atravessadores financeiros tornam os bancos, especialmente, os donos do mundo. No Brasil, das 20 maiores empresas, aliás, 6 são bancos.
Consolidando a narrativa de economistas e analistas, o documentário acompanha a saga diária de um trabalhador carioca, o podólogo Anderson Marinho Ribeiro, em sua batalha para simplesmente deslocar-se de Japeri,a região metropolitana carioca, até o centro do Rio, o que lhe custa cerca de 4 horas e meia todos os dias, simplesmente para chegar ao trabalho. Seu relato sobre sua vida materializa o abandono a que está relegada essa camada da população economicamente ativa que não faz parte da restrita parcela de donos do mundo.
 
Nem tudo nestas análises é assim sombrio. Afinal, como lembram alguns analistas, a ordem do mundo não é natural, é construída. E alternativas, como os bancos comunitários (que existem também no Brasil) podem apontar novos rumos. Como lembra Costa-Gavras, “se não resistirmos, viramos escravos”.
 

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança