Anna Karenina: A História de Vronsky

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Sinopse

A famosa história do caso extraconjugal entre Anna Karenina e Vronsky é contada sob o ponto de vista dele, nessa adaptação russa do clássico de Liev Tolstói.


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Crítica Cineweb

29/05/2018

Muitas vezes filmada, a história de Anna Karenina, a imortal personagem do romance homônimo do autor russo Liev Tolstói, ganha um novo enfoque no drama do diretor russo Karen Shakhnazarov, como se percebe a partir do título do filme, Anna Karenina – A História de Vronsky.
 
O ponto de vista do trágico triângulo amoroso do livro aqui é o do amante, o conde Alexei Vronsky (Maksim Mateyev). O roteiro, assinado por Shakhnazarov e Yuri Poteenko, inspira-se, assim, não só no romance como também no conto Notas de um médico sobre a guerra russo-japonesa, de Vikenty Veresaev, desenvolvendo a narrativa a partir do encontro, 30 anos depois da ligação com Anna, de Vronsky com o filho dela, o médico Sergei Karenin (Kirill Grebenshchikov).
 
O ano é 1904, o lugar, um vilarejo da Manchúria, onde tropas russas se refugiam após um combate contra os japoneses. Karenin acaba de tornar-se o oficial médico mais graduado, depois de várias baixas no front, e identifica, num dos feridos, o homem que causou a ruína de sua vida familiar, quando ele, Sergei, ainda era um menino.
 
Contando com uma esplêndida direção da arte, fotografia e efeitos especiais, o filme é uma produção do tradicional estúdio Mosfilm, que tem a seu crédito obras de Sergei Eisenstein, Andrei Tarkovski e outros exponentes do cinema soviético. Shakhnazarov é, aliás, dirigente deste estúdio e mostra segurança na condução de uma história sobejamente conhecida, filtrando sua dramaticidade pelo olhar de um personagem tido como vilão, tendo ao seu lado uma das maiores vítimas da tragédia de Anna, seu filho.
 
Pelo tom assumido na história, no entanto, tudo o que não se faz é vilanizar Vronsky. Retratado na maturidade, envelhecido, ele não conta mais com a beleza e a ousadia que, décadas atrás, lhe permitiram seduzir Anna (Elizaveta Boyarskaya), mulher que mantinha um casamento estável, ainda que frio, com o funcionário Karenin (Vitaly Kishchenko). Seu relato é o mais humano que se pode imaginar, contando com um ouvinte compassivo em Sergei – que cresceu ouvindo as piores coisas sobre a mãe, de quem foi afastado.
 
Como se poderia esperar, a narrativa é repleta de flashbacks, mediante os quais Vronsky recorda sua paixão por Anna – e encarnada com vivacidade por Elizaveta Boyarskaya nessas sequências em que o passado é trazido à vida nas recordações de Vronsky, em meio aos ecos atuais e muito próximos, de uma guerra, a russo-japonesa.
Se a pulsão da paixão proibida, os dilemas morais de sua época, o alto preço pago pelos amantes – especialmente Anna, num contexto machista – são recriados com intensidade, não funciona tão bem a presença de uma jovem refugiada chinesa que é apadrinhada por Vronsky. Idealizada como uma espécie de materialização da culpa de Vronsky, ou quase um fantasma-substituto de Anna, a participação da menina não se encaixa tão organicamente quanto o desejado no contexto dramático geral. No mais, o filme tem a força e a gravidade que se poderia esperar, resgatando a capacidade deste clássico da literatura de atravessar o tempo, contando com um notável elenco russo.

Neusa Barbosa


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