A Morte de Stálin

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Locais de filmagem


Sinopse

Pouco depois da morte de Josef Stálin, o alto escalão do Partido Comunista enfrenta o caos em busca de seu sucessor. O filme é baseado na HQ francesa homônima, de Fabien Nury e Thierry Robin.


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Crítica Cineweb

23/05/2018

O ano é 1953 e o temido Josef Stálin (Adrian McLoughlin) está no comando da União Soviética. Seus mandos e desmandos causam terror. Andreyev (Paddy Considine) é um engenheiro de som obrigado a forçar uma pianista (Olga Kurylenko) a realizar novamente um concerto, porque o ditador a ouviu pelo rádio, gostou tanto que quer uma gravação. Ela se recusa – está cansada e não tem a menor simpatia pelo político, que ordenou a morte de sua família –, mas acaba convencida. No disco em vinil, gravado na hora, que será enviado a Stálin, ela coloca um bilhetinho.
 
Pode ser o seu bilhete ou sua maneira de tocar com algum efeito subliminar, mas pouco depois de ouvir a gravação, Stálin passa mal. Como ninguém pode entrar em seu quarto – cuja porta sempre é protegida por dois soldados – ele passa a noite caído no chão sobre a própria urina, até o dia seguinte quando sua governanta leva o café da manhã. Logo depois, ele morre.
 
Esse é o ponto de partida da sátira política dirigida pelo escocês Armando Iannucci, A morte de Stálin, a partir dos quadrinhos homônimos da dupla francesa Fabien Nury (texto) e Thierry Robin (ilustrações). O cenário é bem específico, assim como o contexto histórico da União Soviética, mas o filme cresce na medida em que fala das disputas pelos pequenos e grandes poderes e das maquinações politicas que advêm desse jogo.
 
Com a morte de Stálin, os altos escalões do Partido Comunista Soviético se digladiam pelo posto. Reuniões secretas a portas fechadíssimas devem decidir o destino da nação. Figuras-chave estão em cena, como Geórgiy Malenkov (Jeffrey Tambor), Nikita Khrushchov (Steve Buscemi), Viatcheslav Molotov (Michael Palin), Lavrentiy Beria (Simon Russell Beale) – todos de olho no posto que acabou de ficar vago.
 
É com certo cinismo e humor negro que Iannucci – corroteirista, ao lado de David Schneider, Ian Martin  e Peter Fellows – explora a imagem de um país enfrentando uma tremenda crise enquanto seus políticos brigam para subir ao poder e sugar o pouco de sangue que ainda há para ser sugado. Emergem também as maquinações para manter a engrenagem ideológica funcionando como se deve. É preciso também construir a imagem do novo presidente. Ele precisa ser amado – é necessário, inclusive, encontrar uma garotinha, agora uma jovem adulta, que tirou uma foto ao lado de Stálin para que pose para um novo retrato com o novo governante.
 
O casal de filhos de Stálin também entra em cena como um complicador. Svetlana (Andrea Riseborough), inconformada com a morte do pai, sempre à beira de um ataque emocional e sem qualquer paciência com os burocratas que tentam tomar o legado de Stálin. Já Vasily (Rupert Friend, responsável por alguns dos momentos mais hilários do filme) vive constantemente bêbado e está disposto fazer um discurso no funeral do pai, motivo de grande apreensão.
 
A narrativa histórica, como se sabe, é contada pelos vencedores, que varrem para debaixo do tapete tudo o que deu errado em sua construção. Iannucci não só levanta esse tapete como joga o lixo no ventilador, e tudo se espalha com efeito cômico – embora exista uma nota de melancolia quando nos damos conta que essas mesmas maquinações existem até hoje por todos lados, seja na Rússia, nos EUA ou no Brasil. E, pior, parece que vão sempre existir. 

Alysson Oliveira


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