Antes que eu me esqueça

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Sinopse

Polidoro é um juiz aposentado que começa a dar sinal dos primeiros sintomas de Alzheimer. Sua filha resolve interditá-lo na justiça, mas fica decidido que o irmão dela deverá passar um tempo com o pai antes que a decisão seja toma.


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Crítica Cineweb

03/05/2018

Antes que eu me esqueça poderia cair facilmente na pieguice ou na falsidade no trato com os personagens. Mas o diretor estreante Tiago Arakilian dribla praticamente todas as armadilhas que a trama coloca em seu caminho. O primeiro desafio é ter como protagonista um homem que está perdendo a lucidez, vítima de Alzheimer. Isso poderia dar um tom soturno ao filme, ou até um humor fora de lugar. Mas na interpretação precisa de José de Abreu, o juiz aposentado Polidoro é um personagem verossímil, uma pessoa como outra qualquer que chegou a uma fase da vida com problema duros e bem específicos.
 
O ponto de partida do longa, escrito por Luísa Parnes, é a tomada de decisão de Beatriz (Letícia Isnard) de interditar o pai na justiça por causa do agravamento do Alzheimer. Paulo (Danton Mello), seu irmão, também é intimado pelo juiz que, indeciso quanto ao veredito que deve dar, decide que o rapaz deverá passar um tempo na companhia do pai, para analisar seu comportamento, e dar uma segunda opinião. Os encontros deverão ser acompanhados por uma promotora, Maria Pia (Mariana Lima).
 
Pai e filho não se veem e não se falam há anos. Feridas do passado marcam seu relacionamento. Diversas questões não resolvidas impedem uma aproximação. Novamente, Arakilian desvia de questões que poderiam afundar o filme. Mesmo flertando aqui e ali com clichês, ele, a roteirista e o elenco se saem muito bem, especialmente por humanizarem todos os personagens na medida certa. Beatriz, por exemplo, poderia ser apenas uma interesseira de olho na herança do pai (que anda gastando sem prudência), mas não, ela tem seus motivos e são todos reais.
 
Paulo toca tambor numa orquestra, mas seu sonho sempre foi ser pianista – desejo compartilhado por sua mãe, professora de piano, e cuja morte ainda é uma questão mal resolvida ebtre ele e o pai. Paulo abandona esse trabalho e, com ajuda de um amigo (Augusto Madeira), se prepara para um teste na Orquestra Sinfônica.
 
Tudo se complica ainda mais quando Polidoro se torna sócio numa boate decadente, pois ele acredita ter o feeling para fazer o local voltar a dar lucro, e mira num público-alvo bem específico: conhecidos seus da terceira idade que passam o dia numa pracinha – entre os clientes estão os personagens interpretados por Dedé Santana e Luiz Magnello. Os encontros entre ele o filho, supervisionados e fotografados por Maria Pia, se dão no estabelecimento, o que gera alguns lances cômicos do filme, muitos deles protagonizados pela prostituta Joelma (Gusta Stresser, num papel que, em mãos menos habilidosas, cairia facilmente na caricatura).
 
A dupla formada pela roteirista e o diretor está interessada no que há de mais humano nesse grupo de personagens. É isso que define essas pessoas, serem quem são. O presente é a somatória dos erros do passado e a incapacidade de prosseguir se não conseguir enfrentá-los. Nesse sentido, cada dia é um dia a menos para Paulo acertar as contas com o pai, cada vez menos lúcido. Antes que eu me esqueça investiga esses fios tênues que unem as pessoas, sempre prestes a se romper, mas que resistem. O resultado é um filme dolorosamente honesto – e aqui está sua grande virtude. 

Alysson Oliveira


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