A Vida em Cana

Ficha tcnica

  • Nome: A Vida em Cana
  • Nome Original: A Vida em Cana
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produo: 2001
  • Gnero: Documentário
  • Durao: 68 min
  • Classificao: Livre
  • Direo: Wolney Atalla
  • Elenco:

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14/01/2003

Wolney Atalla estréia no cinema com este documentário sobre a dura vida dos cortadores de cana, filmado em Jaú com trabalhadores das usinas de sua família, incluídas entre as maiores produtoras de açúcar e álcool do país. O filme ganhou 14 prêmios e foi um dos destaques do Festival do Recife de 2001, de onde saiu com as estatuetas de melhor filme, diretor e montagem, na categoria documentário. No New York International Independent Film Festival, saiu com a distinção de melhor fotografia.

Tanto reconhecimento, local e internacional, passará agora pelo teste decisivo, o do público brasileiro, que anda de bem com as produções nacionais, principalmente o gênero documental. Alguns criticam Wolney por ter usado no filme os trabalhadores a serviço das empresas de sua família, o que reduziria a espontaneidade dos depoimentos recolhidos. Não é esse o caso. O que falta ao trabalho de Wolney, mesmo com a naturalidade inegável das entrevistas com os bóias-frias, é um aprofundamento da sofrida realidade desses trabalhadores, que encontram no corte da cana uma alternativa para o desemprego. Isso foi feito pelo britânico Nigel Noble em Os Carvoeiros, sobre a vida nas minas de carvão de Santa Catarina. Esse filme serviu de laboratório para o carioca José Padilha, produtor da obra, lançar-se como diretor de Ônibus 174.

Os próprios números revelados pelo diretor ao longo do filme comprovam: 800 mil pessoas sobrevivem do corte da cana em todo o país, responsáveis pela produção de 18 milhões de toneladas de açúcar por ano e 14 bilhões de litros de álcool. Um trabalho, na ponta do facão, que movimenta 8% do PIB agrícola. Tanta riqueza não se reflete na vida dos cortadores, que ganham, na média, pouco mais de R$ 200 por mês. Todos os personagens entrevistados pelo diretor exibiam salários semelhantes, apesar de alguns destacarem ser possível faturar até R$ 500 mensais. Mas, para melhorar a renda, necessitam trabalhar de sol a sol, pois cada dia perdido fará falta no final do mês. Um dos cortadores, ouvidos na boca do caixa, ganhou num mês menos de R$ 100 porque perdeu vários dias de trabalho para acompanhar a mãe, internada no hospital.

Em sua maioria, os trabalhadores que se dedicam ao corte da cana em São Paulo, de maio a novembro, pleno período da safra, são provenientes dos estados nordestinos. Afugentados pela seca e pela miséria e sem melhores opções de trabalho na capital paulista, acabam se fixando no interior. Nos fins de semana, lotam os bailes de forró improvisados e relembram histórias do passado. Eles agradecem estar agora empregados mas temem os efeitos da nova legislação ambiental, que permite o corte manual da cana apenas até 2015. A partir dessa data, toda a colheita deverá será mecanizada, o que aumentará o desemprego.

Wolney diz em seu filme que o corte manual da cana é uma alternativa para o profundo desemprego. Em nenhum momento se fala em alternativas mais seguras e menos insalubres para esses trabalhadores. O grave problema dos acidentes de trabalho, provocados pelo uso de facões afiados e a falta de equipamentos adequados, não são mencionados no filme. Não há nenhuma estatística sobre mortes provocadas pelo transporte irregular de trabalhadores e membros decepados na colheita, apesar de um único dado econômico, lançado como curiosidade na tela, ser igualmente eloqüente. Em média, cada trabalhador corta cana suficiente para a produção de 22 toneladas de açúcar por dia. Desse total, menos do que o valor equivalente a cinco quilos ficará em seu bolso, depois de uma estafante jornada, iniciada com o primeiro canto do galo.

Cineweb-13/12/2002

Luiz Vita


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