A câmera de Claire

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Durante o Festival de Cannes, uma jovem é despedida da distribuidora de cinema onde trabalha. Sem pressa de ir embora da cidade, se torna amiga de uma turista francesa, que também acaba conhecendo um cineasta com quem a moça teve um caso.


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Crítica Cineweb

02/05/2018

A primeira fala de Isabelle Huppert em A câmera de Claire é: “Essa é a minha primeira vez em Cannes”. Uma fala que é para fazer plateias cinéfilas rolarem de rir, dado que a atriz quase todo ano está no Festival. Sua personagem, Claire, no entanto, não é do mundo do cinema, e foi até lá acompanhar uma amiga cineasta. Essa piscadela para o público do diretor e roteirista Hong Sang-Soo não é a única aqui. A outra personagem principal é Manhee, interpretada por Kim Min-hee – atriz de diversos filmes do cineasta.
 
A câmera de Claire começa com Manhee sendo demitida, durante o Festival de Cannes, por sua chefe Yanghye Nam (Chang Mi-hee), sob a alegação de que ela é falsa. A moça trabalhava numa empresa que vende direitos de distribuição de filmes pelo mundo, e, saberemos mais tarde, teve um caso com um diretor, So (Jung Jin-young). A cena da demissão, num café, é repleta de formalidade, e um humor involuntário (ao menos para o público ocidental), terminando com a demitida pedindo para fazer uma selfie com a sua, agora, ex-chefe. É levemente absurdo e constrangedor.
 
Depois disso, Claire entra em cena, e num (outro) café, conhece, por acaso, So, e desconfia que ele é um artista. Ao descobrir que é cineasta, com um filme em competição em Cannes, ela também confessa que faz algumas poesias de vez em quando, e gosta de tirar foto, diz apontando para a câmera, que está em cima da mesa. “A única maneira de mudar as coisas”, diz ela, “é as observando devagar”. As fotografias são a forma de fazer isso.
 
O filme é composto de encontros, desencontros e coincidências, tudo marcado por diálogos que parecem levemente improvisados, o que faz remeter ao cinema de Eric Rohmer – sempre uma referencia na obra de Hong. Mas, nos filmes Song, há sempre algo de mágico, algo que rompe com o realismo, e aqui é a capacidade improvável de Claire encontrar as pessoas certas, e, sem saber, acaba desfazendo um erro de julgamento entre o trio de coreanos.
 
Rodado durante o Festival de Cannes de 2016, o filme está longe do glamour do Palais du Cinema ou das multidões infestados as ruas, o filme forma quase um tríptico com Na praia à sozinha – é sua trilogia sobre decepções, não apenas amorosas, mas também entre amigos e conhecidos. E ele fez os três filmes em períodos próximos, lançado com pequenos intervalos.
 
Fotografias como uma forma de capturar um momento da realidade que deixa de ser real ao ser registrado se tornam uma metáfora eficiente para o filme que investiga a sempre turbulenta relação entre arte e vida. “Se eu tiro uma foto de você, você não é mais a mesma pessoa”, explica Claire, mais tarde para So e Yanghye. As polaroides da protagonista mudam a vida de seus conhecidos, e a imagem congelada, o momento capturado é capaz de realocar eventos do passado. 

Alysson Oliveira


Trailer


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