As boas maneiras

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Locais de filmagem


Sinopse

Ana é uma mulher rica, que está grávida e contrata uma babá para o filho que vai nascer, Clara. A convivência entre as duas se estreita, ao mesmo tempo que surgem situações cada vez mais estranhas e perturbadoras.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

11/04/2018

O cinema de Juliana Rojas e Marco Dutra, jovens diretores com trabalhos juntos ou separados – o mais conhecido em parceria sendo Trabalhar Cansa (2011) – adensa-se na exploração do cinema de gênero temperada com comentário social neste novo trabalho, As Boas Maneiras, grande vencedor do Festival do Rio 2017, além de um prêmio em Locarno.  
 
Clara (Isabél Zuaa) é uma ex-enfermeira que procura emprego como babá na casa de uma mulher, Ana (Marjorie Estiano), que está no final da gravidez. Clara é negra, Ana, branca, e as duas moram cada uma de um lado do rio Pinheiros, a clara metáfora da divisão social para os moradores da cidade de São Paulo.
 
O clima de estranheza se estabelece aos poucos, quando fica evidente para Clara que sua patroa é afetada por fenômenos estranhos em noites de lua cheia. A história se desenvolve num crescendo de tensão, infiltrada de humor negro, neste acompanhamento do relacionamento entre as duas mulheres, até o nascimento da criança. Neste segmento, está o melhor do filme, em que o roteiro se mostra capaz de compor situações dramaticamente profundas, andando na linha fina que separa o realismo do irreal, amparado na fotografia de Rui Poças, e na precisa direção de arte de Fernando Zuccolotto.
 
A simbiose destas duas mulheres tão diferentes se expressa até o limite nesta primeira parte, que culmina com o nascimento da criança, acontecimento que deflagra um drástico recomeço – infelizmente, afetado por alguns excessos anticlimáticos.
 
A vida de Joel (Miguel Lobo) será do lado mais pobre da cidade, mas nunca desprotegido por sua figura materna, que procura injetar normalidade na vida de uma criança nascida sob a égide da excepcionalidade mais cronenbergiana possível. Um dos problemas, neste segmento, é que o ator mirim, estreante, não tem como dar conta de determinadas nuances de algumas situações complexas e algumas perdem força. De todo modo, a exposição de seu segredo, a sequência do shopping center e a reação furiosa de seus vizinhos somam expressividade ao conjunto da história, altamente imaginativa, que poderia ter sido mais eficiente se fosse ligeiramente mais enxuta.  
 
De toda forma, é um trabalho de muita personalidade e arrojo, um marco na carreira de dois diretores que vale a pena seguir. 

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 11/06/2018 - 09h19 - Por Fabio Esse é um filme repleto de "se":
    Se tivesse pelo menos uns 20 minutos a menos... Se tivesse uma atriz melhor para o papel de Clara (a atuação é fraca e quebra o ritmo)... Se tivesse um ator mirim com mais expressividade... Se não tivessem usado o CGI... Se não tivessem cravado 2 músicas em momentos chave (ok, a 1a nem é um problema)... Se... Se...
    Fraco. muito fraco. Uma boa ideia desperdiçada em "maneirismos" e em atuações canhestras. Exceto por Marjorie Estiano esbanjando dúvida, medo, desejo e insegurança. Ponto positivo para o 1o ato. Depois o filme se perde e não consegue se achar. Uma pena.
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