Tully

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Marlo atinge o limite da estafa com o nascimento de sua terceira filha. Seu irmão, para ajudá-la, contrata uma babá noturna. A chegada da garota muda a vida de toda a família.


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Crítica Cineweb

11/04/2018

Embora o filme mais famoso da dupla formada pela roteirista Diablo Cody e o diretor Jason Reitman seja Juno (que levou diversas indicações e prêmios, inclusive Oscar de roteiro original), seu melhor trabalho é a comédia Jovens adultos, que trazia Charlize Theron como uma escritora irritada e irritante disposta a trucidar o mundo e quem a infernizasse. Havia ali mais sagacidade e sinceridade do que em qualquer outro filme da dupla – juntos ou separados. Por isso Tully é um tanto frustrante, mesmo tendo a mesma atriz como protagonista.
 
Theron, aliás, é o que há de melhor no filme. Ela é Marlo, mãe de um casal de crianças e gravidíssima da terceira filha. A mulher já está exausta e o marido, Drew (Ron Livingston), apesar de bem intencionado, prefere se deitar no seu privilégio de homem branco cisgenero, e não ajuda o suficiente. O nascimento da nova bebê leva a protagonista além do limite da exaustão, e seu irmão (Mark Duplass), mais rico, resolve contratar uma babá-noturna.
 
Entra em cena Tully (Mackenzie Davis), jovem de 20 e poucos, com um sorriso constante no rosto, energia infindável para trabalhar a noite toda e sempre com um conselho para dar, mesmo que não seja requisitado. Aos poucos, a garota monopoliza a vida e a casa de Marlo. À noite, enquanto todos dormem, ela não apenas cuida da bebê, como limpa os cômodos e cozinha – ela precisa queimar energia, explica.
 
Não custa muito e Tully e Marlo se tornam amigas próximas, fazendo confissões e falando sobre suas frustrações e medos. A menina se torna uma peça fundamental na casa da família. Cody tem comentários bem interessantes e pertinentes a fazer sobre o papel da mulher no mundo de hoje, onde ela acumula mais e mais funções, enquanto seu marido, confortavelmente, joga videogame na cama. Isso acontece literalmente no filme. Não é lá uma estratégia muito sutil, mas a vida nem sempre pode ser sutil.
 
A falta de sutileza, o excesso de didatismo (sua grave revelação final precisa ser explicada mais de uma vez, porque Cody e Reitman talvez não acreditem no potencial do público) não são lá o grande problema de Tully. O que acontece aqui, e é mais ou menos o que há em Juno, é como o filme se anuncia: algo moderno e ácido, um comentário sobre as relações pessoas e familiares no mundo contemporâneo, e como se resolve: não apenas flertando, mas abraçando, beijando e casando com o conformismo da família branca tradicional e burguesa. O conformismo dá o veredito final, assim como o convencionalismo. 

Alysson Oliveira


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