Ciganos da Ciambra

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Em Gioia Tauro, interior da Calábria, a pequena e pobre comunidade de origem cigana vive longe da escola e perto do crime. Quando o pai e o irmão são presos, o garoto Pio, de 14 anos, é confrontado com o dilema do sustento da mãe e das irmãs.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

11/04/2018

Premiado na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes e representante italiano na disputa das indicações ao Oscar de filme estrangeiro 2018, este drama de Jonas Carpignano traça um retrato devastador do atavismo das relações sociais na Calábria. Em Gioia Tauro, numa comunidade de origem cigana, um lugar onde a pobreza e a falta de oportunidades são gritantes, todos os homens dedicam-se ao roubo, a serviço dos “italianos”, como são chamados os mafiosos locais – o que denota, igualmente, a discriminação de que são objeto os ciganos, de origem Rom.
 
Nesse caldo de cultura, o garoto Pio (Pio Amato), de 14 anos, está no limiar da vida adulta. Seu modelo é o irmão mais velho, Cosimo (Damiano Amato), que não o deixa, por enquanto, participar dos roubos de carro e desmanches a que se dedica. Longe da escola, o garoto, que é analfabeto, bebe, fuma e faz de conta que é adulto.
 
Quando a polícia realiza uma de suas costumeiras incursões pelo bairro, levando preso seu irmão e seu pai, Rocco (Rocco Amato), Pio decide que é hora de tornar-se homem e responsabilizar-se pelo sustento da mãe e das irmãs. É nesse processo que vai deparar-se com escolhas que não esperava, envolvendo a lealdade a seu amigo africano Aiyva (Koudous Seihon).
 
Um dos aspectos mais instigantes deste filme é o retrato desta comunidade de refugiados africanos, mostrada com inteireza e humanidade, compartilhando o destino de todos os discriminados do mundo. Mas a naturalidade que brota do filme é decorrência de várias escolhas, a primeira delas, um elenco formado de não-atores, boa parte deles pertencentes a uma família real, os Amato.
 
Não está claro o quanto a história, igualmente roteirizada por Carpignano, está impregnada de vivências reais de seus intérpretes. Mas é evidente que estão à vontade nas situações que retratam, transpirando uma honestidade e integridade do tipo que não dá para falsear.
 
A câmera inquieta que acompanha as incursões de Pio pelas ruas desoladas de sua vizinhança – que são tudo, menos cartão postal – é eloquente para traduzir a instabilidade desta vida em risco, símbolo de todas as outras trajetórias que o cercam – assim como a montagem do brasileiro Affonso Gonçalves. Não se trata por certo de um retrato animador de uma certa realidade italiana. Mas evidentemente é um espelho que é necessário levantar e reflete um estado de coisas que certamente não é exclusivo da Itália.

Neusa Barbosa


Trailer


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