Sexy por acidente

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Renee não se sente bonita, nem confortável com seu corpo. Mas, depois de bater a cabeça na academia, acredita que está linda e se sente autoconfiante para fazer coisas que nunca faria antes.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

05/04/2018

As boas intenções que alimentam Sexy por acidente de ponta a ponta quase escondem os problemas cinematográficos e morais do filme – quase, mas, não. A comédia é protagonizada por Amy Schumer, um dos grandes nomes do humor contemporâneo que ainda não se encontrou no cinema. Possivelmente, não será esse filme que vai dar-lhe o reconhecimento que ela merece.
 
Escrito e dirigido pela dupla Abby Kohn e Marc Silverstein, o longa tem como personagem principal Renee, uma jovem aficionada por maquiagens caríssimas da companhia LeClaire, mas que se sente no lado errado da linha da beleza. Com sua dupla de amigas (Aidy Bryant e Busy Philipps), que compartilham do mesmo sentimento, ela passa o tempo se maquiando com produtos da marca que não passaram no teste de qualidade – ela os consegue porque trabalha no site da empresa – e tirando fotos para colocar em redes sociais e arrumar namorados.
 
Logo na primeira cena do filme, é mostrado que Renee não está bem consigo mesma, matriculando-se numa aula de spinning, mas nada dá certo. Frustrada com o trabalho – que a relega a um porão escuro e feio – ela sonha em uma posição melhor e um corpo de modelo. Quando bate com a cabeça, ao cair da bicicleta, no entanto, a protagonista acorda se sentindo linda – acredita que seu corpo tenha transformado, que está mais bela do que nunca, embora todos (e o público) percebam que, na real, nada mudou na garota.
 
Agora repleta de autoconfiança, pleiteia uma vaga de recepcionista no escritório luxuoso da LeClaire e uma amizade com a herdeira do conglomerado, Avery LeClaire (Michelle Williams, forçando uma voz infantil e irritante). A mensagem do filme está aí: devemos valorizar o interior, o caráter, a perseverança das pessoas, pois a aparência pouco importa. É um ensinamento surrado, mas válido, que o filme traz apenas na superfície pois, no fundo, Renee continua sendo objeto de chacota – especialmente porque se acha bonita e a maioria das personagens viram os olhos quando ela diz isso.
 
O primeiro problema está colocado, então, logo de cara: por que deve-se acreditar que Schumer não seja bonita? Ou que qualquer modelo magra seja mais desejada do que ela? Mais do que isso: por que o filme precisa ser tão excessivamente cruel com todas as personagens femininas? Nenhuma passa impune. Pode-se dizer que, de certa forma, o longa só está reproduzindo a sociedade machista em que vivemos, mas o problema aqui é que muito da crueldade assume tom de zombaria e busca apenas o efeito cômico.
 
Renee tem muito em comum com a personagem de Anne Hathaway em O diabo veste Prada, tentando manter sua idoneidade e valores num mundo da moda pautado pela falsidade e superficialidade. Ela, a certa altura, acaba sucumbindo, abandonando as amigas, ficando divida entre o novo namorado (Rory Scovel) sensível e apaixonado e o irmão playboy de Avery (Tom Hopper). Tudo isso porque a personagem acredita que está linda – embora, ela sempre tenha sido e nunca acreditou.
 
É frustrante ver um talento como o de Schumer desperdiçado com piadas gordofóbicas – ainda assim, seu carisma é o único motivo que torna as quase 2 horas de Sexy por acidente suportáveis. 

Alysson Oliveira


Trailer


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