À sombra de duas mulheres

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Locais de filmagem


Sinopse

Pierre é um documentatista que trabalha com sua mulher, Manon. Quando ele começa a ter um caso com a funcionária de uma cinemateca, descobre que sua mulher também é infiel.


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Crítica Cineweb

05/04/2018

Como não poderia ser diferente, o tema de À sombra de uma mulher é, como em praticamente todo o cinema, de Philippe Garrel, o amor e suas consequências. Como de costume, também é filmado num belo preto-e-branco (assinado pelo veterano Renato Berta), o que lhe confere um certo aspecto atemporal.
 
Acompanhamos alguns meses na vida de Pierre (Stanislas Merhar), um documentarista, que trabalha em parceria com sua mulher, Manon (Clotilde Courau). A dupla está, artisticamente, pelo menos, satisfeita com a parceria – embora essa, aparentemente, não rende lucros no plano financeiro, visto que o locatário ameaça expulsar o casal do apartamento se não pagarem o aluguel atrasado.
 
Pierre trabalha num documentário sobre um dos membros da Resistência Francesa, e conhece Elisabeth (Lena Paugam), funcionária de um arquivo cinematográfico. Não custa muito estão envolvidos. Com o tempo, porém, quando a euforia inicial terminada, o protagonista se vê preso em dois relacionamentos que o sufocam. Ele também descobre que sua mulher está tendo um caso extraconjugal – quem lhe conta isso é a própria Elisabeth.
 
Garrel, autor do roteiro em pareceria com Jean-Claude Carriere, Caroline Deruas, Arlette Langmann, investiga as consequência do ego masculino ferido, diante de duas mulheres mais fortes e mais bem resolvidas do que ele. O narrador do filme – na voz de Louis Garrel – deixa claro as diferenças entre os homens e as mulheres, e, conforme indica o título, elas saem ganhando na disputa.
 
O diretor – e isso se deve possivelmente ao trabalho com duas mulheres no roteiro – faz um raro retrato de personagens femininas fortes e decididas. Expõe assim um dissimulado jogo de aparências sustentado pelo privilegio masculino – o que fica bem claro na cena em que Pierre confronta Manon por ela estar tendo um caso, mas esconde que ele também é infiel. No desenrolar do filme, o que mais ressoa é a frase da mãe de Manon, interpretada pela grande atriz Antoinette Moya: “não vale a pena sacrificar sua vida por nenhum homem”. E sua filha aprenderá isso na prática. 

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 23/05/2018 - 00h16 - Por Demas Só uma correção: ele conta que é casado já no primeiro encontro com Elisabeth.
  • 25/05/2018 - 14h44 - Por Alysson Obrigado pela correção, Demas. O texto já foi alterado.
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