Estrelas de Cinema Nunca Morrem

Estrelas de Cinema Nunca Morrem

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Gloria Grahame é uma atriz que já teve glória em Hollywood e até ganhou um Oscar, em 1953. Mas agora vive sua decadência e luta para conseguir papeis no teatro. Um dia, em Londres, ela conhece um jovem aspirante a ator, Peter Turner. Apesar da diferença de idade, os dois se apaixonam.


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Crítica Cineweb

29/03/2018

Estrelas de cinema nunca morrem, do diretor escocês Paul McGuigan, é um romance anticonvencional que nasce diretamente das memórias de um ator inglês, Peter Turner, sobre seu relacionamento com Gloria Grahame (1923-1981), atriz norte-americana que brilhou em Hollywood nos anos 1950 e venceu um Oscar em 1953 por Assim Estava Escrito, de Vincent Minnelli.
 
Quando se conhecem, em Londres, em 1986, Gloria (Annette Bening) e Peter (Jamie Bell) trabalhavam em teatro, mas viviam situações completamente distintas. Aos 26 anos, Peter lutava por todas as chances que deslanchariam uma carreira iniciante. Quase 30 anos mais velha, Gloria, por sua vez, vivia uma maturidade pontuada pela decadência, agarrando-se a todos os papeis que pudessem garantir a continuidade na profissão que deixara para trás seus melhores dias.
 
Vizinhos de quarto numa pensão londrina, os dois rapidamente encontram pontos em comum, superando a diferença de idade, unidos por uma curiosidade e uma entrega ao teatro e à vida que os coloca na mesma voltagem de emoção.
 
Amparado no roteiro de Matt Greenhalgh, adaptando a autobiografia de Peter Turner – lançada em 1986, por coincidência, o ano de nascimento do ator Jamie Bell -, o filme de McGuigan esforça-se por sair do mero registro de um réquiem, criando situações que delineiam melhor o perfil da estrela decadente – como a sequência em que Peter, vindo aos EUA atrás de sua musa, é apresentado à mãe (Vanessa Redgrave) e à irmã (Frances Barber) dela, trazendo à tona segredos mal escondidos de seu passado e a profunda disfuncionalidade de sua vida familiar, que fora, aliás a causa de seu declínio. Gloria protagonizou um grande escândalo ao casar-se com Anthony Ray, seu ex-enteado, filho de seu ex-marido, Nicholas Ray, com o qual dizia-se que o grande diretor surpreendera a então mulher na cama.
 
O escândalo é tematizado na conversa com a família de Gloria mas não ocupa maior espaço no filme, que se dedica de corpo e alma a resgatar a luz e a sombra do romance entre Gloria e Peter, com uma honestidade que não dispensa um carrossel de emoções. Um recurso particularmente bem-sucedido é retratar uma briga entre os dois que redefine sua relação, em Nova York, primeiro pelo ponto de vista dele, depois, pelo ponto de vista dela, o que enriquece ambas as perspectivas.
 
Um trabalho muito sensível e afinado é da diretora de fotografia polonesa Urszula Pontikos, que reproduz a atmosfera dos anos 1970 e 1980 de maneira discreta e calorosa. Estrelas de cinema nunca morrem, aliás, prima por uma sutileza ao lidar com o tom trágico de uma vida que se apaga sem pontuá-la por qualquer tipo de excesso ou moralismo.
 
De quebra, faz-se um bom uso de um trio de personagens secundários, os pais de Peter, Bella (Julie Walters) e Joe (Kenneth Cranham), e seu irmão, Joe Jr. (Stephen Graham), que se tornam cruciais num momento da trama em que Gloria, muito doente, refugia-se em sua casa, em Liverpool. Este retrato de uma família proletária inglesa proporciona um arco de ternura que também explica o modo de ser de Peter e dialoga com seu enorme, dilacerante dilema. Trata-se de amor, amor adulto, com todas as suas difíceis escolhas.
 
Em grande forma, Annette Bening se entrega ao papel sem vaidade, compondo sua protagonista com uma dignidade intensa, que lhe permite percorrer suas muitas oscilações, sua alternância entre charme, sedução, apego ao antigo sucesso, desespero, renúncia. Lembra a Gena Rowlands de Uma Mulher sob Influência, neste filme que é uma espécie de Nasce uma estrela numa chave bem mais intimista.

Neusa Barbosa


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