Ex-Pajé

Ficha técnica

  • Nome: Ex-Pajé
  • Nome Original: Ex-Pajé
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 80 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Luiz Bolognesi
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Perpera é um ex-pajé, de uma tribo que, em sua maioria, tornou-se evangélica. Por isso, os antigos saberes mágicos são identificados pelos pastores brancos e estrangeiros como "coisa do diabo". Uma situação crítica, envolvendo a vida de alguém, coloca em xeque este estado de coisas.


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Crítica Cineweb

21/03/2018

Premiado na mostra Panorama, do Festival de Berlim 2018 – onde fez sua estreia mundial – e também no mais recente Festival É Tudo Verdade, o documentário Ex-Pajé, de Luiz Bolognesi, disseca um etnocídio, mas também a resistência a ele.
 
Nenhum personagem poderia ser mais representativo desse conflito do que Perpera Suruí, o ex-pajé. Tendo vivido até os 20 anos isolado na floresta, entre Mato Grosso e Rondônia, esse indígena Paiter Suruí sofreu, como o resto de seu povo, o impacto da chegada dos brancos, em 1969. De lá para cá, Perpera teve que abrir mão de sua função e abdicar dos saberes tradicionais que aprendeu, já que seu povo aderiu ao culto evangélico, que classifica a pajelança e seus rituais como “coisas do diabo”.
 
Abrir mão de sua função não foi coisa simples, mas manter-se ligado a ela representava uma verdadeira morte social, já que os demais índios, convertidos cristãos, recusavam-se até mesmo a falar com ele. A própria sobrevivência física de Perpera passou a depender, então, de sua integração. Hoje, ele é visto na igreja, usando calça comprida, camisa de mangas longas e uma gravata, um vestuário desengonçado em seu corpo que por si só simboliza a inadequação desta inserção forçada numa cultura estranha, que continua semeando contradições na comunidade indígena.
 
Tanto quanto Perpera, os índios estão divididos em seus dilemas, num esforço para manter sua identidade ao mesmo tempo que incorporam parte da cultura e da tecnologia dos brancos. Carros, celulares e rifles são parte de seu cotidiano, ferramentas indispensáveis para a fiscalização de sua reserva, alvo de frequentes invasões de madeireiros.
 
Mas ninguém sintetiza melhor o crime do etnocídio do que Perpera, cujo olhar perdido, na porta da igreja em pleno culto, deixa claro que ele nunca deixou de ouvir os sons dos animais e dos espíritos da floresta. Uma cena emblemática de seu conflito insolúvel se apresenta quando ele, aflito, procura a ajuda de parentes para consertar a luz de sua casa. Ele diz que não consegue dormir no escuro porque os espíritos da floresta, nessa situação, o agridem por causa de sua aproximação com o culto branco. Os índios, aliás, não têm mais redes, que foram queimadas pelos pastores. Agora, todos dormem em camas.
 
Para substituir a pajelança, os pastores trouxeram os remédios dos brancos. Como diz Perpera – “Antes todos me pediam conselhos, agora só tomam aspirina”. Um incidente, no entanto, coloca em xeque esta realidade. A cunhada de Perpera é mordida por uma cobra e é atendida no hospital. Apesar de medicada, ela continua em perigo de vida. Nesta situação de crise, a memória da sabedoria ancestral é resgatada, num sinal de resistência. A mesma resistência que persiste apesar de 500 anos de genocídio/etnocídio indígena e foi expressa no Manifesto de Povos e Lideranças Indígenas do Brasil, assinado por 28 lideranças e 15 organizações indígenas e divulgado no Festival de Berlim.

Neusa Barbosa


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