1945

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Locais de filmagem


Sinopse

O ano é 1945 e o mês é agosto. Dois homens desconhecidos desembarcam na estação de trem de um pequeno vilarejo húngaro. Sua presença trará à tona antigas feridas de guerra.


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Crítica Cineweb

21/03/2018

Em 1945, o húngaro Ferenc Török cria uma espécie de fábula sombria sobre o imediato pós-guerra no seu país, investigando o legado moral e ético em uma pequena aldeia. É 12 de agosto do ano-título e toda uma comunidade se prepara para um casamento quando a chegada de dois judeus ortodoxos causa desconfiança e ameaça o clima festivo. Eles se tornam catalisadores da assustadora necessidade daqueles moradores de revisitar o passado recente – não apenas local, mas do país, de toda a Europa.
 
Arpad (Bence Tasnádi) está prestes a se casar com a bela camponesa Kisrózsi (Dóra Sztarenki). Ela, por sua vez, está fazendo mais um negócio do que uma união amorosa. Não há muito tempo, abandonou outro noivo, Jancsi (Tamás Szabó Kimmel), para investir num casamento que lhe traria ascensão social, mas nem por isso esqueceu a antiga paixão. Uma tensão está no ar e coloca a cerimônia em xeque.
 
Os dois homens, um pai, Hermann Sámuel (Iván Angelus), e seu filho (Marcell Nagy), carregam duas caixas. Ninguém sabem quem são eles, e todos ficam curiosos para saber o que trazem. Seriam amigos ou parentes dos judeus que moravam naquele vilarejo? Ou vieram para expulsar as pessoas das casas e propriedades que ocuparam indevidamente quando os judeus foram levados? Os moradores entram em pânico, porque fantasmas do passado ainda os assombram.
 
O futuro também lhes trará mais fantasmas com os quais lidar – mas disso, é claro, ainda não sabem. O filme capta um momento de transição quando estão no local tanto as tropas nazistas residuais e soldados soviéticos que libertando a cidade. O comunismo, porém, ainda está longe de chegar. Os moradores tentam retomar suas vidas.
 
A ordem, apesar da apreensão com a presença dos dois forasteiros, é continuar com os preparativos para o casamento. Cada personagem reage de uma forma à chegada da dupla. O bêbado local (Jozsef Szarvas), tomado por um grande sentimento de culpa, quer entregar tudo de volta. Sua mulher (Agi Szirtes), no entanto, prefere esconder as coisas – só por garantia. Não quer abrir mão dos tapetes e pratarias. “Diga que os alemães levaram, se alguém perguntar”, alega.
 
O roteiro, assinado pelo diretor Török e o escritor húngaro Gábor T. Szántó, a partir de um conto deste, está mais interessado na construção de um narrador coletivo do que em especificar cada uma das figuras em seus dramas e psicologias. Desta forma, cria mais tipos do que personagens propriamente ditos. Mas isso pouco importa, porque o filme focaliza dinâmicas sociais e a narrativa se constrói como um coral no qual cada pequena trama contribui para um painel maior.
 
A esmerada fotografia em preto e branco – assinada pelo veterano Elemér Ragályi (A Ilha dos milharais, exibido na Mostra de S. Paulo de 2014) – acrescenta um estranhamento à dimensão temporal do filme. Se por um lado a trama parece perdida no tempo (e até no espaço), o título deixa bem claro o momento da narrativa – e é aí que mora a fratura que deverá engolir a todos moradores do lugar.

Alysson Oliveira


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