Severina

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

R. é um livreiro de Montevidéu, que sonha tornar-se escritor. Um dia, sua livraria passa a ser frequentada por uma bela moça, que ele percebe que está roubando livros. Intrigado, ele não a confronta, esperando poder decifrar seu comportamento.


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Crítica Cineweb

14/03/2018

Diretor com raízes teatrais, Felipe Hirsch entra em sua segunda incursão pelo cinema com o suspense romântico Severina, uma adaptação de obra do escritor guatemalteco Rodrigo Rey Rosa.
 
A co-produção entre o Brasil e o Uruguai, filmada inteiramente em Montevidéu, é falada inteiramente em castelhano. Descreve a rotina a princípio insípida de um livreiro, R. (o argentino Javier Drolas, de Medianeras), que sonha tornar-se escritor mas coloca pouca energia no projeto. Passa seus dias em sua pequena livraria charmosa, mas vazia, que só parece ganhar vida com as leituras que promove nas noites de segunda-feira.
 
A livraria sem movimento, numa rua idem, parecem ocupar um tempo e um espaço fora do tempo e do espaço, como um território ficcional, portanto habitável, a qualquer momento, por uma personagem de ficção. É o que parece acontecer com a chegada de Ana (Carla Quevedo), uma moça misteriosa, que começa a frequentar a livraria para furtar livros – mas exercendo sobre R. fascínio suficiente para que ele se torne cúmplice de seu delito, em troca da esperança de poder, um dia, aproximar-se dela.
 
Não faltam mistérios a Carla, ainda mais que os espectadores a veem através dos olhos do apaixonado livreiro, que se torna cada vez mais refém de seus artifícios e desaparecimentos/reaparecimentos. Em torna dela, há uma aura suspeita, ainda mais quando R. descobre que a sua não é a única livraria que ela rouba – e que há na vida da moça um homem mais velho, Otto (o chileno Alfredo Castro), que não se sabe se é seu pai ou seu amante-protetor.
 
Nestes cenários limitados, com foco dramático fechado na existência destes poucos personagens, Hirsh – que anteriormente apenas co-dirigira um filme, Insolação (2009), com Daniela Thomas – comanda uma narrativa sutil e instigante, se o espectador compartilhar do fascínio de R. pelos livros e pelas paixões desesperadas. Drolas é um ator muito envolvente com seu olhar de cão abandonado e inspira solidariedade. Carla Quevedo, por sua vez, é capaz de manter em torno de si uma aura dúbia, encarnando a musa volátil e contraditória que resiste a uma explicação total, já que nunca é dela o ponto de vista sustentado no filme. Ela é interpretada por olhares masculinos, tanto de R. quanto do velho livreiro Ahmed (Alejandro Awada), outra de suas vítimas, e também de Otto.
 
Nisso reside a armadilha e o encanto de um filme que recusa os clichês da comédia romântica e encarna uma singular expressão da latino-americanidade a partir de seu elenco formado por atores argentinos, chilenos e também uruguaios (com pontas de Daniel Hendler e Mirella Pascual). O Brasil está nos bastidores, com o diretor Hirsch, o produtor Rodrigo Teixeira, a montadora Helena Maura e o compositor Arthur de Faria. Vindo do outro lado do Atlântico, até Portugal entra na roda, com a fotografia do tarimbado Rui Poças (de Tabu e O Ornitólogo).

Neusa Barbosa


Trailer


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