Uma temporada na França

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Abbas e Etienne eram professores na República Central Africana. Mas tiveram de fugir da guerra civil, levando consigo os filhos de Abbas - a mulher dele morreu no caminho. Tentando ser aceitos como asilados em Paris, eles sobrevivem de ocupações precárias. A vida de Abbas tem uma nota positiva quando ele encontra o amor da francesa Carole.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

14/03/2018

A saga de imigrantes africanos em busca de integração na Europa está no centro do drama Uma temporada na França. Dirigido pelo chadense Mahamat-Saleh Haroun (do premiado em Cannes Um homem que grita), o filme reúne despojamento e intensidade sutil ao retratar os dilemas de Abbas Mahadjir (Eriq Ebouaney), refugiado da República Central Africana que escapou da guerra civil e do esfacelamento do país para Paris, onde vive com os dois filhos pré-adolescentes, Asma (Aalayna Lys) e Yacine (Ibrahim Burama Darboe).
 
A mulher ficou pelo caminho, morta por milícias. A profissão de professor de francês na capital da RCA, Bangui, também. Tudo o que Abbas consegue fazer para sobreviver é o trabalho braçal num mercado de hortifrutigranjeiros. Assim como o irmão, Etienne (Bibi Tanga), que era professor de filosofia e agora tem que contentar-se em ser segurança de uma farmácia.
 
São pessoas, portanto, com vidas pregressas em que havia cultura e projetos de futuro, subitamente destruídos não só pela situação política do país natal mas pelos diversos obstáculos burocráticos no caminho de seus pedidos de asilo. Sem documentos, tudo o que podem esperar é a boa vontade das instâncias judiciais europeias, impessoais e sobrecarregadas.
 
Abbas e Etienne levam uma vida quase invisível, em endereços precários. Abbas, num apartamento emprestado e provisório; Etienne, numa cabana de madeira num terreno baldio, onde guarda seu maior tesouro, seus livros. As crianças, por outro lado, desfrutam de uma melhor integração, frequentando a escola e sonhando com um futuro mais amplo.
 
Faz parte da nova história de Abbas a francesa Carole (Sandrine Bonnaire), uma filha de poloneses cujos pais, no passado, também vivenciaram as incertezas do exílio e da aceitação num país estrangeiro. A história de amor entre Carole e Abbas teria tudo para dar certo, não fosse esse contexto absolutamente inóspito aos refugiados na Europa, triados em bloco por um sistema que não sabe o que fazer deles e investe todo o seu empenho em recusar o máximo deles. Quase sempre, tentando repatriá-los, ainda que sua pátria, em tantos casos, nem exista mais.
 
O filme tem um andamento realista, eventualmente infiltrado de um toque de realismo mágico com as aparições da mulher morta de Abbas (Sandra Nkake) – um símbolo evidente da memória de uma cultura ameaçada e sem lugar no mundo. É sintomático no filme não se dê voz a representantes do poder francês, exceto pela incursão de dois policiais. Aqui se toma partido de um lado, assumindo seu grito desesperado por alguma solução mais humanista – com a sequência final representando de forma contundente essa proposta.

Neusa Barbosa


Trailer


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