Arábia

Ficha técnica


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Sinopse

Cristiano é um operário que vive pulando de emprego em emprego pelo interior mineiro, nos arredores de Ouro Preto. A vida nômade complica seu enraizamento, além de lhe propiciar condições precárias. Um dia, ele sofre um acidente e fica no hospital. Um menino, André, vai à sua casa e encontra um diário onde Cristiano registra suas percepções.


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Crítica Cineweb

14/03/2018

Segundo longa de Affonso Uchoa (A vizinhança do tigre), em parceria com João Dumans (roteirista de A cidade onde envelheço), Arábia focaliza a realidade operária do interior mineiro. Seu protagonista é Cristiano (Aristides de Sousa), um trabalhador de vida nômade, pulando de trabalho em trabalho em diversas localidades de Minas Gerais, incapaz de conseguir estabilidade, fixar raízes, exercer plenamente sua existência como ser humano.
 
A intimidade de Cristiano é desvendada através de uma terceira pessoa, o menino André (Murilo Caliari), que encontra, na casa do operário vitimado por um acidente, um caderno recheado de anotações, um verdadeiro diário que dá conta de cerca de 10 anos de sua vida.
 
A escrita emotiva do diário, que percorre o filme numa voz em off, sustenta uma exploração de raiz neorrealista deste cotidiano de trabalhadores como Cristiano, errando de lugar em lugar, esgueirando-se de incidentes como um que o levou à prisão, a solidariedade de amigos seus iguais e também um encontro amoroso com Ana (Renata Cabral), colega de fábrica.
 
No subtexto destas confissões singelas, salta um mal-estar existencial profundo, de alguém que, sem ser intelectual, enxerga claramente as contradições da própria precariedade econômica e da opressão de trabalhos exaustivos, exasperantes. É nessa apresentação que o filme sustenta um humanismo densamente impregnado de um pensar político, que se torna ainda mais urgente diante da entrada em vigor de uma precarizadora reforma trabalhista – detalhe que foi mencionado explicitamente pelos diretores na apresentação do filme, no Festival de Brasília 2017, do qual Arábia saiu com cinco prêmios: melhor filme para o júri oficial, melhor filme para o júri Abraccine, melhor ator (Aristides de Sousa), montagem e trilha sonora.
 
Arábia é, por forma e vocação, um filme lacunar, que chama o espectador a fazer parte de sua experiência, a completar seus espaços com a própria sensibilidade e imaginação. Não é obra de respostas prontas nem formulações carregadas. É desta sutileza, no entanto, que arma sua ênfase em torno da complexidade da vida de gente anônima, a quem não se costuma atribuir reflexão intelectual nem reconhecer capacidade de análise da própria condição no mundo. Arábia é a afirmação de sua alteridade.

Neusa Barbosa


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