Segredos em Família

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Crítica Cineweb

26/03/2003

Nem todos têm a família com a qual sonharam. Santiago, um solitário, ao contrário, paga para ter a família que nunca teve. Se muitos vivem uma farsa familiar e não se incomodam, ele cria uma fantasia e explora todas as suas conseqüências só para poder desfrutar por algumas horas do privilégio de ter sob seu domínio algumas pessoas que concordam em representar seu jogo. Segredos em Família, do diretor espanhol Fernando León de Aranoa, exibido na Mostra Internacional de São Paulo em 1999, trilha o mesmo caminho surreal seguido por Luís Buñuel em obras primas como O Anjo Exterminador. Seus personagens concordam em viver uma situação absurda, mas, ao contrário dos intérpretes de Buñuel, sentem-se pouco à vontade nesse papel e gostariam de cair fora o mais rápido possível.

Santiago (Juan Luis Galiardo) acorda no dia em que completa 55 anos e encontra na cozinha a família reunida: sua mulher, os três filhos e a mãe. Conversam sobre amenidades e logo Santiago recebe seus presentes. Ao abrir o pacote do filho menor, um cachimbo, irrita-se com a falta de atenção do garoto, que se esqueceu que ele não fuma. O menino, como os demais na mesa, é um ator pago para fazer o papel de seu filho no dia da festa de aniversário, que acabou cometendo um erro em sua caracterização.

O homem, que contratou a companhia de atores, criou um papel para cada um e todos têm que representá-lo como consta do script. As confusões não demorarão a se agravar com a chegada do diretor da companhia, que representa o irmão de Santiago. Ele tenta manter a equipe unida, alegando que se trata apenas de um trabalho que terminará no fim do dia, quando todos poderão voltar à sua vida normal. A perspectiva de receberem um bom cachê por seu desempenho não é o suficiente para a maioria dos atores. A adolescente Luna (Elena Anaya), paga para ser a filha de Santiago, teme que ele possa ser um psicopata, com planos diabólicos no final da representação.

O roteiro bem construído permite que o diretor consiga entrelaçar com competência as histórias particulares dos atores com sua representação, impedindo que o enredo perca o interesse e caia na monotonia. Todas as situações são tratadas com um humor absurdo, completamente surrealista. Aranoa, vencedor do Goya (o Oscar espanhol) de melhor diretor revelação em 1998 e indicado pelo roteiro original, demole, na melhor tradição espanhola, os chamados pilares da família. Por outro lado, também enaltece a instituição familiar ao constatar que todos precisam de laços pessoais fortes mesmo que, para isso, precisem pagar algum preço.

Luiz Vita


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Comentários:
  • 17/05/2013 - 19h30 - Por Jose Ferreira de Melo Gostaria muito de obter uma cópia desse filme. Se alguém puder me informar como conseguí-la ficarei imensamente agradecido.
    Grato Melo
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