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Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Isabelle é uma artista plástica divorciada, mãe de uma garota de 10 anos. Bem-realizada profissionalmente, ela procura um amor verdadeiro. Mas seus relacionamentos, alguns com homens casados, a frustram. Mas ela não desiste.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

07/03/2018

A primeira surpresa deste filme é a diretora, Claire Denis, uma veterana autora de filmes sérios e densos (Minha terra, África; Bastardos), aventurando-se em sua primeira comédia. É com um espírito explorador de sensações e sentimentos voláteis que ela escreve, ao lado de Christine Angot, um roteiro que dá oportunidade a Juliette Binoche de percorrer as várias estações da procura amorosa na meia-idade.
 
Artista plástica divorciada, mãe de uma garota de 10 anos, Isabelle (Binoche) é um poço de contradições. Ela viaja ao sabor do momento, em paixões por homens tão disparatados como um banqueiro (Xavier Beauvois), um ator (Nicolas Duvauchelle), um tipo rude (Paul Blain) e um empresário mais velho (Alex Descas) – fora um eterno caso com o ex-marido (Laurent Grévill).
 
Tantas peripécias colocam suas emoções numa roda-viva, já que alguns destes parceiros são casados e todos são complicados. Não há, nesta fase da vida, a pureza de um livro em branco, nem a entrega da adolescência. Todos carregam suas histórias pregressas e suas intenções conflitantes. Apenas Isabelle tem claro o seu desejo de realmente amar alguém. Mas, como toda mulher de sua idade, costuma ser vista por muitos homens apenas como uma relação passageira.
 
Como se poderia esperar de uma diretora habituada à acidez, não se doura a pílula para um final feliz arrebatador, como um filme americano. O que salta à flor da pele é uma mulher entregue ao próprio desejo, por mais que ele conduza a tantas decepções. Importante é que ela não desiste de procurar.
 
É impressionante, mais uma vez, acompanhar como La Binoche é capaz de nos envolver nos processos de sua personagem – especialmente as mulheres, provavelmente -, por mais caóticas e conflitantes que sejam suas escolhas. Conta muito para manter o interesse a formidável gama de expressões que a atriz é capaz de imprimir, passando da tristeza à alegria num único frame. É nessa mistura de fragilidade e energia que podemos empatizar com a coragem dessa mulher de permanecer à tona, trafegando entre os estereótipos masculinos, admiravelmente bem-colocados aqui, num filme de diretora atenta ao reverso dos clichês.
 
Uma sequência particularmente criativa é a final, que acompanha, em tempo real, a consulta de Isabelle a um vidente (Gérard Depardieu), que discorre sobre as chances que ela terá com cada um dos homens que naquele momento frequentam sua vida. Nesta sequência – que acompanha a subida dos créditos finais – não escapa a ironia de termos acabado de assistir, na cena anterior, a este mesmo vidente levando um fora de uma mulher (Valeria Bruni-Tedeschi). Nem mesmo a clarividência, afinal, dá qualquer garantia no amor.

Neusa Barbosa


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