Château - Paris

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País


Sinopse

Sempre bem-vestido e elegante, Charles vive ao redor da estação de metrô Château d'eau, uma comunidade afro-francesa que concentra uma série de salões de cabeleireiros. Charles, como outros, trabalha tentando atrair clientes para um salão, enquanto junta dinheiro para resgatar os próprios sonhos.


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Crítica Cineweb

28/02/2018

Em tempos em que se fala de visibilidade e representatividade, chega bem em tempo no circuito brasileiro a comédia dramática francesa Château Paris, que mergulha na pequena África que pulsa de vida, intrigas e música ao redor da estação de metrô Château d’eau, no 10º arrondissement de Paris.
 
Diretores de segunda viagem, Modi Barry e Cédric Ido tiram bom partido do carisma de seu protagonista, Charles (Jacky Ido), irmão do segundo e visto no elenco de Bastardos Inglórios (2009). Com um quê de Omar Sy, ele espalha seu charme em torno da estação de metrô, sempre muito bem vestido, esbanjando atitude. Sua atividade, como a de outros jovens africanos ou descendentes que ali se agrupam, é atrair clientes para os vários salões de cabeleireiros das redondezas. É um subemprego, é certo, o que de imediato revela as dificuldades de sobrevivência dessas populações de origem estrangeira na Europa.
 
A autenticidade dos atores vem, inclusive, do fato de que vários deles são realmente africanos, caso de Jacky Ido, originário de Burkina Faso. A diversidade dos sotaques com que falam francês é, por si só, uma evidência desta multiplicidade de origens, como se vê pela presença de Fela, o nigeriano (Hoji Fortuna, que na verdade é angolano), um chefão das ruas, ou da cabeleireira Djenaba (a camaronense Felicité Wouassi).
 
A tipicidade deste canto de Paris é uma atração à parte, já que mergulha nesta comunidade de trabalhadores, sobrevivendo a duras penas mas não deixando de cultivar laços de amizade, rivalidade, solidariedade. Não há uma preocupação em idealizar demais nenhum dos personagens, embora o filme, com certeza, fique ao lado de Charles, o personagem que é mais aprofundado. A partir dele e de seu sonho de comprar a barbearia do curdo Mourat (Ahmed Zirek), desenrola-se uma comédia de erros que envolve um cabeleireiro ciumento, Dan (Gilles Cohen). Apaixonado pela bela Sonia (Tatiana Rojo), Dan encarrega Charles de segui-la para ver se ela tem outro. Quando o super-ocupado Charles passa adiante a tarefa ao enroladíssimo Moussa (Jean-Baptiste Anoumon), é certo que vem confusão.
 
Injetando humor nesta via paralela da história, os diretores não abandonam a visível intenção de trazer ao primeiro plano algumas complexidades deste ambiente colorido e multifacetado, em que sobressaem também os sonhos de superação de duas mulheres, Djenaba e Sonia. A humanização de todos, no entanto, é o que a história traz de melhor. É um grupo humano de discriminados da sorte, sem dúvida, mas fazendo o seu melhor para extrair o máximo daquilo que tem à mão. Nesta simplicidade, o filme se resolve, sem maiores ambições.
 
Um brilho à parte está numa sequência musical numa boate, apresentando a eletricidade do ritmo costa-marfinense coupé-decalé com o cantor Serge Beynaud.

Neusa Barbosa


Trailer


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