A livraria

Ficha técnica


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Sinopse

Uma viúva decide abrir uma livraria numa pequena cidade costeira da Inglaterra, no final dos anos de 1950. A ideia, no entanto, não é bem recebida pela elite local.


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Crítica Cineweb

28/02/2018

A diretora espanhola Isabel Coixet nunca foi muito dada a sutilezas. Para comprovar, basta ver sua filmografia, que inclui Minha vida sem mim, Fatal e Ninguém deseja a noite. Por isso, ela não parece a pessoa ideal para adaptar o romance A livraria, da inglesa Penelope Fitzgerald, publicado em 1978, e protagonizado por uma viúva que abre uma livraria numa pequena cidade inglesa, nos final dos anos de 1950, e enfrenta a fúria do conservadorismo local.
 
Com pouco mais de 100 páginas, o romance é potente em sua investigação sobre as estruturas de poder, mantidas alimentando a ignorância. A batalha de Florence Green, a protagonista, contra a elite local ressoa bastante o obscurantismo que emerge a cada dia em nossa época
 
Um dos maiores acertos do filme é ter Emily Mortimer interpretando Florence – ela se mostra uma atriz capaz de transmitir a sutileza da personagem, mesmo quando a diretora, o filme e a trilha sonora (assinada por Alfonso de Vilallonga) pesam. O longa ganhou diversos prêmios Goya, entre eles melhor filme, direção e roteiro adaptado. 
 
Moradora há pouco tempo da cidade de Hardborough, Florence resolve comprar um antigo casarão desabitado, reformá-lo e transformá-lo numa livraria – um tipo de loja que há décadas não existe no lugar. Sua primeira batalha é com o banco. Depois de muito esforço para colocar o estabelecimento de pé, a personagem enfrenta a elite local, que não gosta da ideia de uma livraria ali.
 
Essa elite se materializa especialmente na figura de Violet Gamart (Patricia Clarkson), que se diz opositora da livraria pois acha que o casarão será mais bem utilizado se transformado num centro de artes. É por trás desse véu de progresso que se esconde o que há de mais conservador na personagem e no vilarejo pesqueiro. Na verdade, sua preocupação com a livraria é a possibilidade de livros chacoalharem as estruturas de poder mantidas pela ignorância daqueles a elas submetidos.
 
Florence encontra aliados numa jovem adolescente Christine (Honor Kneafsey) que trabalha em sua loja, e em Edmund Brundish (Bill Nighy), um milionário recluso com quem a protagonista trava amizade e um romance discreto. Violet, por sua vez, pode contar com o apoio não apenas da elite local, como também de todos que se calam.
 
Coixet, que também assina o roteiro, no entanto, parece não entender, ou se entente, não deixa claro no filme o que as duas mulheres, os dois lados da disputa, representam. Fitzgerald, no seu livro, deixa claras as duas pontas do espectro em que Florence e Violet se alinham, o que faz dessa história algo atemporal e especialmente relevante no presente obscurantista em que vivemos.

Alysson Oliveira


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