Com amor, Simon

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 2 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Simon tem 17 anos e um segredo: é gay. Quando descobre outro garoto como ele na escola, eles começam a trocar emails com um codinome, sem saber quem são. Isso irá mudar a vida dos dois meninos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

28/02/2018

A simples existência de Com amor, Simon talvez seja mais importante do que o filme em si, na verdade. O longa é protagonizado por um adolescente gay (Nick Robinson) que ainda não teve coragem de se assumir para seus pais e amigos. Embora ele saiba que será bem aceito por praticamente todos, ele tem receio de como sua vida mudará.
 
Personagens como Simon costumam, nas produções de grandes estúdios, ser relegados aos papéis de melhor amigo e/ou alívio cômico. Suas personalidades, suas histórias pregressas, seus passados nunca emergem na trama – em outras palavras, eles não são lá muito importantes porque os estúdios não querem arriscar a desagradar ao grande público com questões tão delicadas. Figuras assim encontram mais espaço no cinema independente ou europeu – um pouco mais ousados por excelência. E a premiação de Moonlight – Sob a luz do luar, em 2017, com o Oscar de melhor filme, pode dizer que as coisas estão mudando. Ou, pelo menos, que devem mudar.
 
Mas que ninguém se engane, a 20th Century Fox, estúdio responsável por Com amor, Simon, não produz ou lança um filme apenas “pela causa”. Há uma clara demanda de mercado por longas como este, nesse momento em que questões identitárias se tornaram um assunto tão em pauta. Se o filme levanta questões e debates, é apenas uma de suas consequências positivas. De qualquer forma, o fato de ele existir é louvável.
 
Simon é um adolescente de classe média alta, que leva uma vida tranquila com seus pais bem esclarecidos (Jennifer Garner e Josh Duhamel) e irmã caçula (Talitha Bateman). Por isso, como ele mesmo diz, “sair do armário” não seria um grande problema em casa – com o tempo, as coisas se ajeitariam – e na escola também – embora enfrentaria algum bullying. Mas o rapaz sente que não está preparado para esse passo e encontra em um confidente misterioso um amigo com quem desabafar.
 
Ele começa a conversar, por e-mail, com outro garoto de sua escola, e os dois estão na mesma situação. Ambos usam um codinome e não sabem quem é o outro. Simon, no entanto, começa a se apaixonar por esse colega e desconfia que cada garoto que sorri para ele é o tal menino. A jornada do filme, então, é a jornada do protagonista em descobrir quem é realmente o colega e, juntos, se assumirem.
 
É interessante como o longa dirigido por Greg Berlanti (Juntos por acaso) coloca essa confusão de sentimentos de Simon (a cada momento “apaixonado” por um novo rapaz que pode ser o seu correspondente) como uma metáfora para o processo de amadurecimento e todo o caos emocional que acompanha esse momento da vida das pessoas – especialmente na adolescência, ainda mais para um garoto gay que se passa por hétero, como uma tática de autopreservação.
 
Com amor, Simon é mais fraco quando é obviamente formulaico, especialmente quando segue as regras das comédias juvenis de John Hughes – embora filtrado para as sensibilidades e mercado do presente –, ou de sitcoms da televisão, seja no ambiente escolar ou com as amigas e amigos do protagonista, e suas interações. Mas Belanti parece dizer que para se quebrar a resistência – do público, do mercado, dos produtores – é preciso um pouco de otimismo e jogar com aquilo que há de mais confortável no cinema. Ainda assim, apesar dos seus problemas, o longa tem um coração enorme e um final emocionante.

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança