Soldados do Araguaia

Ficha técnica

  • Nome: Soldados do Araguaia
  • Nome Original: Soldados do Araguaia
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2017
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 73 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Belisario Franca
  • Elenco:

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País


Sinopse

Em meados dos anos 1970, guerrilheiros instalaram-se na região do Araguaia, sul do Pará, para organizar um movimento armado contra a ditadura militar. Para combatê-los, o exército recrutou à força jovens moradores da região, cujo conhecimento do território poderia ser útil. Mas estes soldados foram também submetidos à violência, obrigados a presenciar a tortura dos guerrilheiros e outros abusos.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

28/02/2018

O novo documentário assinado por Belisário Franca (Menino 23) denuncia tema forte e pouco divulgado – a situação de algumas dezenas de ex-soldados, jovens recrutados pelo exército nos anos 1970, para combater a guerrilha do Araguaia (1972-1975) e submetidos a treinamentos abusivos, torturas e intimidações.
 
Todos eram jovens moradores da região ao sul do Pará onde cerca de 70 guerrilheiros haviam se instalado. Foram engajados à força e levados para a selva, porque o exército na época entendeu que seu conhecimento do território poderia ser-lhe útil. Mas, como eles revelam hoje, nada lhes foi revelado sobre a verdadeira natureza de sua missão. Pessoas simples, na maioria na época sem escolaridade – apenas dois tinham o ginasial -, foram tratados com dureza e submetidos a tratamento cruel. Alguns contam ter sido obrigados a beber sangue de animais e amarrados nus, cobertos de açúcar e deixados expostos às picadas de insetos, apesar de seus gritos de dor. Tudo para lhes induzir medo e obrigá-los a obedecer sem protestos.
 
Nenhum deles tinha ideia do que viria a seguir. Estes soldados sustentam ter sido obrigados a limpar locais de tortura aos guerrilheiros capturados – especialmente na chamada “Casa Azul”, residência dos oficiais, cujas paredes, segundo contam, não raro eram cobertas de sangue. Alguns contam ter sido encarregados de deslocar sacos contendo cabeças ou mãos cortadas destes prisioneiros. Eram encarregados de vigiá-los, não raro presenciando as torturas, sem nada poder fazer para impedi-las. Vários contam saber do chamado “voo para Brasília”, ou seja, quando os prisioneiros eram embarcados em helicópteros e dali lançados à cachoeira de Xambioá.
 
Anos depois destes episódios, eles ainda sofrem com traumas psicológicos. Além disso, tiveram negados seus direitos no exército, por terem sido, na época, obrigados a assinar papeis de baixa cujo conteúdo não compreenderam – mais uma tentativa de apagamento daquilo que se passou no Araguaia naqueles dias, até hoje à espera de esclarecimento.

Neusa Barbosa


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