Uma dobra no tempo

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Locais de filmagem


Sinopse

O casal Murry é uma dupla de cientistas que investiga a possibilidade de viagens no espaço/tempo. Um dia, o marido desaparece e a família fica abalada. Quatro anos depois, seus filhos, Meg e Charles Wallace, e um amigo de Meg embarcam numa viagem mágica a outra dimensão, em busca dele, com a ajuda de três fadas.


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Crítica Cineweb

20/02/2018

A diretora Ava DuVernay encara o desafio de comandar o primeiro filme de orçamento de US$ 100 milhões de dólares dirigido por uma afro-americana para injetar sangue novo numa adaptação de um clássico infanto-juvenil muito conhecido nos EUA, Uma dobra no tempo, lançado em 1962 pela escritora Madeleine L’Engle.
 
Ficção científica que se assume com uma veia mais afetiva do que vinculada aos efeitos especiais – que no entanto existem, é claro -, trata-se do filme ideal para oferecer território novo para uma cineasta que já assinou dramas como Selma – Uma luta pela igualdade (2015) e o documentário A 13ª emenda (2016), ambos engajados numa discussão política sobre o racismo.
 
Uma das novidades trazidas pela diretora é optar por um elenco multirracial a partir da família central, os Murry, com os pais interpretados por Chris Pine e Gugu Mbatha-Raw, sendo os filhos Meg (Storm Reid) e Charles Wallace (Deric McCabe). Cientistas os dois pais, trabalham numa pesquisa sobre a possibilidade de viajar no espaço/tempo quando o marido simplesmente desaparece. Quatro anos depois, a família continua traumatizada, especialmente Meg.
 
Retraída, ela passa a ser objeto de bullying e fecha-se cada vez mais. Ainda assim, torna-se objeto da adoração do garoto Calvin (Levi Miller). Nem isso nem qualquer outra coisa é, porém, capaz de sacudi-la de uma apatia que só é desafiada pela chegada de uma estranha em sua casa, que é recebida com total normalidade por seu irmãozinho superdotado.
 
A visitante atende pelo nome bizarro de sra. Quequeé (Reese Witherspoon) e usa um figurino que não deixa margem a dúvidas quanto à sua origem mágica. A ela oportunamente se juntarão outras duas fadas: a sra. Quem (Mindy Kaling) e a sra. Qual (Oprah Winfrey).
 
O trio mágico diz-se convocado pela aflição de Meg para reencontrar o pai, que elas imaginam estar perdido em outra dimensão. Propondo-se a ajudá-la, elas conduzem Meg, Charles Wallace e Calvin nesta viagem espaço/tempo num processo chamado de “tesserar”.
 
Há uma ênfase na história para as questões afetivas e de auto-afirmação – afinal, o principal problema de Meg, como milhões de adolescentes, é não crer em seu próprio valor. Nem por isso se descuida do recurso a efeitos visuais na composição dos ambientes dos planetas visitados pela trupe viajante, como o luminoso Uriel, povoado por flores flutuantes, e seu contraponto, Camazotz, o reino da escuridão.
 
O filme visa, explicitamente, a conexão com públicos infanto-juvenis por volta dos 12 anos e é nesta faixa etária que poderá encontrar os seus fãs. Nenhum grande esforço foi gasto pela diretora e equipe para transformá-lo num produto genérico “para todas as idades”, incluindo piadinhas e situações de duplo sentido. O coração da história é Meg e sua enorme inadequação para encontrar seu ritmo e lutar no máximo de suas possibilidades.
 
É certamente um filme sobre empoderamento feminino conjugado na adolescência e bastante pudico. Embora Meg tenha por volta de 14 anos, assim como seu apaixonado Calvin, não há um único beijinho, só olhares apaixonados. Aí também a diretora se esquivou de quaisquer complicações de conotação sexual que pudessem aumentar a classificação etária do filme. Seu foco é uma jornada interior percorrendo alguns ambientes fantásticos.
 
Entre as sequências visuais mais interessantes estão, além das citadas flores flutuantes, uma outra de um voo em que a sra. Quequeé se transforma numa folha gigante, dando carona aos três garotos; e também uma outra em que o chão de Camazotz explode enquanto Meg e Calvin tentam escapar.

Neusa Barbosa


Trailer


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