Operação Red Sparrow

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Bailarina do Bolshoi forçada a abandonar a carreira depois de um acidente, Dominika é levado por seu tio para integrar o serviço secreto russo, numa escola que prioriza a sedução como técnica de combate. Sua primeira missão, em Budapeste, envolve Nate Nash, um agente norte-americano.


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Crítica Cineweb

20/02/2018

Dirigido pelo austríaco Francis Lawrence, conhecido pela franquia Jogos Vorazes, o thriller de espionagem Operação Red Sparrow ressente-se de uma formidável dispersão de energia em muitos focos narrativos, e uma ainda mais notável falta de sutileza em todos eles. Claramente, não era para ele o material adaptado do livro do ex-agente da CIA Jason Matthews, roteirizado por Justin Haythe.
 
Como em todo filme de espiões, há uma intenção globe-trotter, começando por Moscou, onde reina no Bolshoi a primeira bailarina Dominika Egorova (Jennifer Lawrence). Talentosa a moça é, mas sua boa posição também depende da influência do tio Vanya (Matthias Schoenaerts), ligado ao serviço secreto russo. Assim, Dominika pode manter sua mãe doente, Nina (Joely Richardson), morando num bom apartamento e recebendo cuidados constantes.
 
Uma nota arcaica e mofada da história está nessa revisita sem filtros à Guerra Fria, pintando uma Rússia estereotipada até o último fio de cabelo da antiquada franja de Dominika. Pedindo carona aos melodramas chorosos, não só pelo detalhe da mãezinha doente, a história ainda inclui um acidente no palco, que corta a carreira da promissora bailarina – um episódio recheado de detalhes passionais e vingativos, dignos de qualquer telenovela, mexicana ou brasileira.
 
O desastre na vida de Dominika é a deixa para que seu tio – homem que a encara com desejo incestuoso – a convença a integrar também o serviço secreto, entrando para uma escola de espionagem onde, curiosamente, o treinamento enfatiza muito mais táticas sexuais do que armas ou lutas.
 
Por essas e mais outras, o filme flerta o tempo todo com o trash – especialmente por não conseguir injetar qualquer sutileza ou ironia em suas mirabolantes situações. Como a matrona que comanda a escola sensual dos Red Sparrows (que inclui alunos homens e mulheres), Charlotte Rampling bem que tenta ser um pouco ferina, mas seu esforço se perde numa produção mão pesada de ritmo irregular, que se nutre de uma mitologia capenga de filme B ao mesmo tempo que parece levar-se muito a sério.
 
Os próximos passos de Dominika são em Budapeste, onde sua missão é seduzir o agente norte-americano Nate Nash (vivido pelo australiano Joel Edgerton). Daí em diante, é fácil deduzir que deveria acender alguma faísca, mas é frustrante como a química desta dupla é próxima de zero. A história prossegue, de perigo em perigo para tanto jogo duplo. E dá-lhe traição, reviravoltas, estupro, tortura e por aí vai, num filme bastante violento que não consegue dar a medida exata de nada disso também.
 
A conclusão inevitável é que a talentosa e bela Jennifer Lawrence precisa rever suas escolhas de papeis, recentemente bem infelizes – caso de Passageiros (2016) e de mãe! (2017).

Neusa Barbosa


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