Torquato Neto - Todas as horas do fim

Ficha técnica

  • Nome: Torquato Neto - Todas as horas do fim
  • Nome Original: Torquato Neto - Todas as horas do fim
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2017
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 88 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Marcus Fernando, Eduardo Ades
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Poeta, compositor, jornalista e ator, o piauiense Torquato Neto (1944-1972) foi um dos fundadores do Tropicalismo, ao lado de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Capinam, Tomzé e outros. O documentário revisita sua trajetória, apresentando seus textos pela voz do ator Jesuíta Barbosa, além de entrevistas e materiais de arquivo.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

14/02/2018

Tropicalista de primeira hora, Torquato Neto (1944-1972) nem sempre é lembrado como fundador desse que foi um dos movimentos mais importantes da música brasileira. Poeta, letrista, jornalista, ator de cinema, ele é o protagonista do documentário Torquato Neto - Todas as Horas do Fim, de Eduardo Ades e Marcus Fernando.
 
Um bom recurso para reviver a poesia densa de Torquato é apresentá-la, no filme, pela voz do ator Jesuíta Barbosa, que injeta energia e foge da solenidade ao dizer seus versos, assim como trechos de diários e colunas de jornal, traduzindo uma verve profunda, apaixonada e desesperada.  
 
Filho único de seu Heli, defensor público, e dona Maria Salomé, professora, Torquato nasceu em Teresina e logo encontrou sua vocação. Menino ainda, aos 9 anos, já fazia poemas. Quando foi fazer o Científico – equivalente ao ensino médio – em Salvador, deu de cara com a efervescência da capital baiana no início dos anos 1960, habitada por Glauber Rocha dando a largada no Cinema Novo e os futuros tropicalistas, os jovens Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa, Tomzé e Capinam.
 
Aos 17 anos, nova mudança, desta vez para o Rio de Janeiro, onde fez vestibular para um curso de jornalismo que não concluiu, o que não foi impedimento para que se tornasse jornalista. Mas também se transformou num requisitado letrista, parceiro não só de Gil, Caetano e Capinam, como de Geraldo Vandré, Edu Lobo e outros mais.
Para quem não conhece sua filiação ao Tropicalismo, é bom saber que é de Torquato a letra de seu manifesto, Geleia Geral, assim como das cultuadas Mamãe Coragem, Deus vos salve esta casa santa e Marginália 2.
 
Todos os entrevistados, notadamente Gilberto Gil e Caetano Veloso, falam dele com muito carinho, lamentando o distanciamento entre eles e Torquato imposto pelo acirramento da ditadura militar, que levou todos ao exílio na Europa por volta do final dos anos 1960 – e depois da volta ao Brasil, por motivos difusos, o relacionamento não se reatou com a mesma intensidade de antes. Talvez, entre outras coisas, por problemas emocionais do próprio Torquato, abalado por uma permanente depressão, que o levou a diversas internações (voluntárias) e, finalmente, a um suicídio na precoce idade de 28 anos.
 
A presença mais chocante no documentário – embora plenamente justificável – é a do ministro Wellington Moreira Franco, que foi vizinho e amigo de infância de Torquato em Teresina e igualmente o recorda com delicadeza.
Uma preciosidade é contar-se com o único registro sonoro da voz do próprio poeta, numa entrevista, o que emocionou seu único filho, Thiago Nunes, fruto de sua união com a artista plástica Ana Maria Silva de Araújo Duarte, que morreu em 2016. Também se faz uso generoso de um admirável arquivo de fotos familiares.
 
Sem fixar-se num formato muito rígido nestas entrevistas – não raro, a voz em off dos entrevistados entra cobrindo imagens de arquivo, o que às vezes não permite identificar quem fala -, o filme evoca de maneira singular a presença de Torquato. Não só em suas palavras poéticas, como em suas participações no cinema, em filmes como Nosferatu no Brasil (71), de Ivan Cardoso. Nunca houve um Nosferatu tão triste, desamparado e original como este, nem haverá.

Neusa Barbosa


Trailer


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