Daphne

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Aos 31 anos, Daphne sente que sua vida está numa encruzilhada: é jovem demais para se estabelecer e velha demais para viver sem rumo. Quando presencia um assalto, começa a repensar a pessoa que se tornou.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

14/02/2018

Daphne (Emily Beecham) tem 31 anos, pouco amor próprio, uma armadura emocional que usa para esconder seus sentimentos verdadeiros, problemas sentimentais, problemas com a mãe (Geraldine James) e também com as antigas amigas de faculdade. Ela trabalha como aspirante a chef num restaurante e, no fundo, é incapaz de manter sua vida nos trilhos. O melhor de tudo, no filme de Peter Mackie Burns, é que a personagem-título não está nem aí para nada disso.
 
Daphne vive a vida que ela quer, da maneira que quer. Sexo, apenas com estranhos, sem qualquer laço afetivo. O trabalho, ela pode largar a qualquer momento. A mãe vive dando CDs de músicas de meditação para ela, e ela odeia isso. Daphne lê Slavoj Žižek antes de dormir, mas também tem consciência de que ele não é lá grande coisa. Parece que lê para passar o tempo. A personagem poderia ser um grande mistério, mas o filme não a trata assim. Burns, mais do que investigar, colocar sob uma lupa, ele a observa, ele a acompanha e, assim, acompanhamos seu cotidiano, erros e acertos.
 
O filme flerta com o realismo social típico do cinema britânico, mas a personagem é classe média o suficiente para tirar o longa dessa classificação. O diretor também não está interessado na poesia que pode vir da miséria emocional e afetiva da personagem. A vida dela tem um momento de mudança quando presencia um assalto numa loja de conveniência e o balconista (Amra Mallassi) é esfaqueado.
 
Transformações profundas podem estar ocorrendo no âmago de Daphne, mas na superfície é como se uma pedrinha atingisse um lago e criasse apenas ondinhas. Ainda assim, isso já é alguma coisa e ela se questiona sobre atitudes e ações. Não que a personagem passe por uma grande modificação e venha alguma catarse transformadora. O filme, escrito por Nico Mensinga, não procura isso. .
 
Daphne talvez seja um estudo de personagem presa na bifurcação entre a essência e a aparência. Há uma hora em que ela constata que as pessoas não a veem como ela mesma se vê. A interpretação de Emily Beecham (que, em alguns momentos, lembra a jovem Nastassja Kinski) é delicada e profunda na sua percepção dos dilemas, dores e amores de sua personagem, compreendendo as dores e delícias de Daphne ser exatamente como é.

Alysson Oliveira


Trailer


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