Uma espécie de família

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Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Depois de perder seu bebê, Malena vive obcecada por repor sua perda, vivendo um casamento em crise. Ela entra em contato com uma máfia de adoções, no interior da Argentia, que intermedeia o contato com mães pobres que querem doar seus bebês em troca de dinheiro.


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Crítica Cineweb

06/02/2018

A obsessão pela maternidade move o roteiro assinado pelo diretor argentino Diego Lerman e por María Meira neste filme estrelado pela atriz espanhola Bárbara Lennie (A garota de fogo). Ela interpreta Malena, uma médica de Buenos Aires que sofreu a morte do filho bebê e, neste momento, está obcecada por repor sua perda. Mesmo que seu marido, Mariano (Claudio Tolcachir), não compartilhe desse desejo com igual intensidade.
 
Esta disposição para colocar sua protagonista em transe o tempo todo é o primeiro problema de um filme que investe pesado numa emocionalidade exacerbada que contraria por demais sua credibilidade. Em sua ânsia de substituir o filho morto, Malena acaba enredando-se numa rede clandestina de adoções, que a leva ao interior do país, em Misiones, em busca de um outro bebê.
 
Este está sendo dado à luz por Marcela (Yanina Ávila), mulher pobre e que já tem outros filhos que não pode criar dignamente. Assim, irá dá-lo em adoção em troca de dinheiro. Malena chega no hospital ainda antes do nascimento, começando a participar de mecanismos obscuros, para os espectadores e para ela, que os decifrarão praticamente ao mesmo tempo.
 
O funcionamento de uma máfia de adoções, que envolve um outro médico, dr. Costas (Daniel Aráoz), e também uma advogada, dra. Pernía (Paula Cohen), além de enfermeiros e funcionários de cartório – uma história real pesquisada pelos roteiristas – parece nunca ser bem compreendida por Malena, o que desafia a lógica, já que se trata de uma médica da capital argentina. Que ela possa ser dominada assim, neste pesadelo que o filme acompanha, é absurdo demais para passar despercebido.  
 
Tudo o que Malena quer é partir com o menino, mas as exigências de dinheiro e os entraves burocráticos crescem a cada minuto. Tudo leva à exasperação, inclusive o detalhe de que a médica trouxe consigo um gato, cujo manejo acrescenta uma tensão extra desnecessária, gratuita, um truque emocional a mais num filme que recorre aos clichês e à manipulação mais do que seria desejável.
 
Algumas reviravoltas no meio do caminho lançam Malena e o marido – que finalmente é obrigado a envolver-se mais diretamente – em rotas cada vez mais angustiantes. Um desdobramento final da situação leva a um final bastante surpreendente, que talvez seja melhor do que o filme inteiro.
 
Faz muita falta um maior desenvolvimento da personagem de Marcela, que sempre parece mais interessante do que Malena a cada vez que tem a oportunidade de declarar-se. Aí, talvez, estivesse uma solução que tornasse este drama mais rico em nuances e verdade humana.

Neusa Barbosa


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