15h17 - Trem para Paris

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Os soldados Spencer e Alek e o amigo Anthony, três jovens norte-americanos que cresceram juntos, passam suas primeiras férias na Europa. Um dia, embarcam num trem que vai de Amsterdã a Paris. Lá dentro, viverão a experiência mais aterrorizante de suas vidas, porque outro passageiro é um fanático fortemente armado, que planejava um massacre dos passageiros.


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Crítica Cineweb

01/02/2018

Usar como atores os protagonistas de uma ação heroica real a bordo de um trem entre Amsterdã e Paris em 2015 é, ao mesmo tempo, o grande trunfo e a maior fragilidade do novo filme de Clint Eastwood, 15h17 – Trem para Paris.
 
A vantagem está nesta naturalidade que imprimem Spencer Stone, Alek Skarlatos e Anthony Sadler ao viverem os próprios papeis, de três jovens californianos, amigos desde a infância e levando, até o incidente, uma existência muitíssimo corriqueira. A fragilidade está no fato de que Eastwood nunca tenta torná-los mais transparentes à nossa visão de espectadores, explorando mais profundamente suas motivações e sua vida interior.
 
Buscando inspiração num livro escrito pelo trio ao lado do jornalista Jeffrey E. Stern, a roteirista Dorothy Blyskal limita-se a uma explanação bastante burocrática da infância destes três – aí interpretados por William Jennings, Bryce Gheisar e Paul-Mikél Williams– numa escola cristã em Sacramento. Aí se perde a primeira oportunidade de expor criticamente o ambiente-padrão de formação dos valores da América cristã, moralista e armamentista. Mas isto certamente não estava no horizonte do conservador Eastwood, que há tempos anda focado na exaltação dos heróis norte-americanos – como visto em seus dois filmes imediatamente anteriores, Sniper Americano (2014) e Sully – O herói do rio Hudson  (2016).
 
Certamente, Spencer e Alek, os dois soldados do trio, são infinitamente mais simpáticos do que Chris Kyle, o atirador obcecado de Sniper Americano, especialmente pela ausência, aqui, do mesmo fanatismo heroico. Spencer queria, na verdade, integrar um corpo de elite de salvamento da Força Aérea mas sua vista o desqualificou. Ele se conforma, assim, em integrar outro grupo, onde seu treinamento em estratégias de sobrevivência acabará lhe servindo a bordo do trem parisiense.
 
Alek, por sua vez, cumpriu missão no Afeganistão mas está longe de demonstrar fome de combate. Em suas conversas por Skype com os amigos, tudo o que expressa é uma grande vontade de sair dali.
Um problema é que, até chegar à reconstituição do ataque no trem – realizado pelo marroquino Ayoub El Khazzani (Ray Corasani) -, muitas platitudes enchem a tela, tempo demais para que não se possa ressentir disso.
 
Ironicamente, tendo em vista o sólido currículo de Eastwood, o ataque é mostrado de maneira bastante anticlimática, em sequências intercaladas, curtas e grossas, bem abaixo do que se esperaria do realizador. Assim sendo, corre o risco de passar batido o fato de que apenas uma grande sorte salvou Spencer, que primeiro se atracou com o atirador, de ter sido morto por ele (a arma falhou). Se esta sequência tivesse sido filmada com mais apuro – ou com menos desejo patrioteiro de exaltar o heroísmo individual -, o filme ganharia bastante em emoção. O fato de ser conhecido o resultado não muda nada o envolvimento que se poderia criar, como demonstrou a extraordinária reconstituição do acidente de avião que é central em Sully.
 
O patriotismo cinematográfico, afinal, parece ser o grande complicador na fase atual da carreira deste que é, inegavelmente, um cineasta competente, que já foi capaz de nos legar filmes como Os Imperdoáveis, Menina de Ouro e Sobre Meninos e Lobos, para ficar em poucos exemplos de seu talento.

Neusa Barbosa


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