Lady Bird - A hora de voar

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

A adolescente Christine prefere ser chamada de Lady Bird, o nome que escolheu para si. O que mais quer da vida é terminar o ensino médio numa escola católica e ser aprovada numa faculdade bem longe de Sacramento, sua cidade natal.


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Crítica Cineweb

24/01/2018

Lady Bird – Hora de Voar, primeiro longa dirigido solo por Greta Gerwig, começa com uma epígrafe de Joan Didion, sobre o hedonismo da Califórnia e o Natal em Sacramento. Mas a presença da escritora não está apenas no letreiro dos créditos iniciais. A diretora, que também assina o roteiro, parece construir todo seu filme – especialmente os personagens – sob a influência de Didion.
 
Lady Bird (Saoirse Ronan, ganhadora do Globo de Ouro de atriz em comédia ou musical, e indicada ao Oscar) chama-se Christine, mas esse é um nome que abandonou, dando a si mesma a alcunha de Lady Bird, e quer ser chamada apenas assim. No começo, as pessoas estranham mas, com o tempo, todos começam a usá-lo. É assim que ela concorre à presidência da escola, e o pôster de sua campanha é divertidamente bizarro.
 
O longa concorre também ao Oscar nas categorias filme, direção e roteiro, além de já ter sido premiado com o Globo de Ouro de melhor filme comédia ou musical, e atriz.
 
Estudando numa escola católica, particular e cara na cidade onde mora, Sacramento, na Califórnia, a protagonista não aguenta mais sua vida. Não vê a hora de terminar o ensino médio e ir para uma faculdade no outro lado do país – preferencialmente Nova York. Mas, na realidade, serve qualquer lugar desde que seja longe de onde mora.
 
Gerwig, nativa de Sacramento, assim como Didion, diz ter se inspirado em alguns fatos de sua juventude para criar a personagem, mas este não é um filme autobiográfico. É, na verdade, uma delicada investigação sobre o doloroso processo de amadurecimento que as pessoas passam por diversos momentos da vida. Amadurecer, diz Lady Bird, é algo constante. A protagonista precisa crescer e para isso, tem de deixar o ninho. Sua mãe, Marion (Laurie Metcalf, indicada ao Oscar de coadjuvante), precisa aceitar que a garota tem uma vida para viver, que vai cometer erros e, espera-se, crescer a partir deles.
 
O constante embate entre as duas é uma das forças que movem a narrativa. Mãe e filha não brigam porque se odeiam, mas porque se amam e esperam demais uma da outra – mais Marion do que Lady Bird, mas esta também não deixa de ter suas expectativas sobre a mãe. Entre elas, como uma figura apaziguadora, está o pai, Larry (Tracy Letts), um homem que perdeu o emprego e vive numa delicada depressão.
 
Gerwig, que codirigiu Nights and Weekends com Joe Swanberg, assina sua primeira direção individual e o filme lhe rendeu uma indicação ao Oscar na categoria – tornando-se a quinta mulher a concorrer na modalidade na história da premiação. Seu filme é tão delicado quanto complexo. Ela trabalha com praticamente todos os clichês de filmes de high school para transformá-los. Ela não os subverter pelo contrário, faz algo mais difícil e arriscado: assume-os até o limite, procurando o que há de mais humano neles. E o resultado sempre aponta para sua protagonista.
 
Como toda adolescente, Lady Bird está se descobrindo e descobrindo o mundo ao mesmo tempo. Seus erros e mentiras fazem sentido em seu universo, porque são cometidos com as melhores intenções. O problema é quando eles machucam outras pessoas – geralmente sua mãe. Ronan e Gerwig têm carinho suficiente para não julgar a personagem, mas também sabem que não podem evitar que ela faça coisas erradas.
 
A trama se passa no ano letivo de 2002-2003, quando a memória dos atentados de 11 de setembro ainda paira sobre as pessoas – as universidades de Nova York estão um pouco menos disputadas – e suas consequências também, como mostram noticiários na televisão. É também o período em que Lady Bird descobre o amor – primeiro com Danny (Lucas Hedges), carinhoso e apaixonado, e depois com Kyle (Timothée Chalamet), blasé e, por isso mesmo, sedutor.
 
Em um de seus ensaios mais famosos, The White Album, Didion começa dizendo: “Nós nos contamos histórias para poder sobreviver”. Essa frase não aparece em Lady Bird, mas é a ideia que orbita constantemente em torno da protagonista. Ela precisa contar a si mesma histórias de um futuro melhor – de preferência longe de Sacramento – para poder seguir em frente. Nesse processo, ela se fere, assim como àqueles que mais ama, mas, parece dizer o filme, esse é o preço para nos tornamos pessoas melhores e contarmos a nós mesmos histórias melhores para podermos prosseguir.

Alysson Oliveira


Trailer


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