O que te faz mais forte

Ficha técnica


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Sinopse

Com menos de 30 anos de idade, Jeff Bauman foi ferido nos ataques na Maratona de Boston de 2013, e perdeu suas duas pernas. Seu depoimento, poucos dias depois, foi fundamental para o FBI capturar um dos terroristas. Sem querer, o jovem se torna um herói nacional e isso torna sua recuperação ainda mais difícil.


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Crítica Cineweb

24/01/2018

Em O que te faz mais forte, o diretor David Gordon Green (Segurando as pontas) transita entre duas narrativas – nenhuma completamente bem resolvida, mas uma delas bem mais interessante do que a outra. A primeira é a boa e velha jornada do herói, mesmo que no caso aqui seja à revelia. Jeff Bauman (Jake Gyllenhaal) estava na linha de chegada da maratona de Boston, em 2013, torcendo pela sua ex-namorada, Erin (Tatiana Maslany), que ele queria tentar reconquistar, quando uma bomba explodiu.
 
Tratava-se de um ataque terrorista, e o resultado foi que Jeff perdeu as duas pernas. Ainda no hospital, pouco depois de acordar, deu um depoimento ao FBI ajudando na captura de um dos terroristas – o outro havia morrido. O rapaz se torna o garoto-propaganda, mesmo sem ter sido consultado, do slogan Boston Strong, criado pouco depois do ataque para levantar o moral da cidade.
 
Jeff vive sob essa tensão de ser chamado de herói e obrigado a posar para fotos com desconhecidos, enquanto passa por uma recuperação lenta e dolorosa. Erin, por sua vez, certamente por um sentimento de culpa, pede demissão, saindo da confortável casa de sua família para morar num pequeno apartamento com Jeff e a mãe dele (Miranda Richardson), para ajudar a cuidar dele.
 
Essa narrativa é interessante, porque dá dimensões e nuances aos personagens. Jeff gosta de ser reconhecido como herói – embora ele mesmo se questiona o que fez de tão heroico – mas nem sempre. Esse é um peso sobre seus frágeis ombros, que ele não precisava suportar. Sua mãe, que não é uma má pessoa, mas sem uma certa dose de bom senso, torna-se um tanto exploradora da condição do filho – não que ela ganhe dinheiro com isso, mas lhe dá certo prestígio, numa família de pessoas bastante tolas, mas todos boa gente.
 
Erin é, de longe, a personagem mais bem realizada do filme. Ela tem complexidade e nuances – e o peso de tudo cai sobre ela. Jeff, como ele mesmo assume a certa altura, é uma criança que não cresceu, mesmo antes de acontecer a tragédia, e sua mãe não é uma pessoa com quem se pode contar regularmente. No fundo, todos estão certos, mas a vida precisa ser ajustada e nenhum deles sabe muito bem o que fazer.
 
Essa é a parte interessante do filme. A outra se resume a chantagens emocionais com o público, olhos marejados, bandeiras americanas tremulantes em sinal de resiliência diante do inimigo, e histórias de superação – envolvendo tragédias históricas, especialmente de soldados americanos no Oriente Médio e outras pessoais de personagens secundários.
 
Trabalhando com um roteiro de John Pollono, baseado na biografia do protagonista, a saída para Gordon Green era buscar o equilíbrio entre as duas narrativas – embora a segunda seja bem mais burocrática e cansativa do que a primeira. Mas ele se deixa seduzir pela trama da superação nacional, fazendo do filme apenas um veículo de exaltação do espírito americano.

Alysson Oliveira


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