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Sinopse

Katja é uma mulher casada com Nuri, de ascendência curda, e tem um filho com ele. Sua vida familiar feliz desaba no dia em que um atentado neonazista destroi o escritório do marido. Agora, sua luta é por justiça.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

22/01/2018

Diane Kruger venceu o prêmio de melhor atriz em Cannes 2017 por sua dilacerante interpretação de Katja, uma viúva que luta por justiça no esclarecimento do assassinato do marido (Numan Acar) e do filho pequeno (Rafael Santana) num atentado neonazista.
 
O diretor turco-alemão Fatih Akin (Contra a Parede) volta, assim, ao melhor de sua forma, assinando, com Hark Bohm, um roteiro cheio de humanismo, impregnado da urgência de temas modernos, como a xenofobia e o fortalecimento de movimentos extremistas de extrema-direita. O filme venceu também o Globo de Ouro 2018 como melhor produção em língua estrangeira.
 
Katja, o marido curdo Nuri e o filho Rocco formam uma família de classe média, depois de um passado turbulento. O casal se conheceu ainda na faculdade, quando Nuri fornecia haxixe à então jovem Katja. Depois de um período na cadeia, em que aproveitou para estudar administração, Nuri se casa com Katja e abre um próspero negócio de assessoria comercial e tradução para compatriotas, localizado num bairro com grande presença de estrangeiros em Berlim.
 
Katja, que deixou o escritório do marido para ver a irmã, acabou sendo testemunha da chegada de uma mulher com uma bicicleta, que estaciona bem em frente. Somente horas depois, quando veio buscar o marido e o filho, encontrando o local inteiramente destruído por uma bomba de alta potência, Katja se recorda do detalhe, que é fundamental para identificar Edda Möller (Hanna Hilsdorf). Militante neonazista, ela foi a autora do atentado, ao lado do marido, André (Ulrich Brandhoff).
 
Parte considerável do filme se passa no tribunal, em que Katja e seu advogado, Danilo Fava (Denis Moschitto), lutam pela condenação do casal. Uma inesperada testemunha de acusação vem da própria família de André.
O que torna o filme envolvente, no entanto, é menos o andamento do processo do que a batalha ética que se desenrola dentro e fora do tribunal. Tendo sua vida destruída pelo atentado e devassada pela investigação policial – que expõe detalhes tidos como comprometedores de Katja e Nuri -, a protagonista luta contra a depressão e um natural desejo de vingança. É nesta jornada de Katja, em suas hesitações e iniciativas, que se desdobram os melhores traços do roteiro e de uma atriz verdadeiramente dona de todos os recursos, fazendo-nos percorrer com ela cada passo deste calvário.
 
Não é de pequena monta que o filme aponte também as alianças dos movimentos de extrema-direita na Europa, seguindo uma conexão grega com os neonazistas alemães. É mais uma prova da inteligência e do apuro do roteiro, que resgata questões que o mundo precisa urgentemente discutir mais a fundo.

Neusa Barbosa


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