Acossado

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Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Michel Poiccard é um ladrão barato que acaba matando um policial. Quando ele conhece uma jovem americana, se apaixona por ela e tenta convencê-la de fugirem juntos para a Itália.


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Crítica Cineweb

17/01/2018

Acossado é um dos filmes mais importantes da história do cinema e, de certa forma, redefiniu como os filmes deveriam ser quando foi lançado originalmente em 1960. Jean-Luc Godard, trabalhando com o roteiro escrito por seu colega François Truffaut, estreava na direção de longas depois de uma carreira com curtas-metragens.
 
Mais de meio século depois, Acossado ainda exala frescor, com suas imagens das ruas de Paris e sua câmera leve que se deixa levar pelo ritmo dos personagens – a fotografia é assinada por Raoul Coutard, que viria a trabalhar com diversos diretores importantes, além de Godard e Truffaut, como Jacques Demy, Costa-Gavras e Philippe Garrel.
 
Os personagens centrais, interpretados por Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg, redefiniram o que era ser cool e fora-do-sistema no começo dos anos de 1960. Ele, um marginal, fã de Humpphrey Bogart que matou um policial; ela, uma americana aspirante a jornalista que usa uma camiseta com o logo do New York Hearld Tribune. A imagem icônica reúne os dois andando pelos Champs Elysées. A voz dela gritando o nome do jornal é uma fala tão marcante na história do cinema quanto “Rosebud”, em Cidadão Kane.
 
Roger Ebert, numa crítica de 2003, aliás, colocava o filme no mesmo patamar do longa de Orson Welles: “Nenhum filme de estreia desde Cidadão Kane, em 1942, se tornou tão influente”. E isso não é exagero – basta pensar na técnica de montagem conhecida como jump cut, empregada por Godard e sua montadora, Cécile Decugis, que é reverenciada, copiada, deturpada, até hoje.
 
Não bastassem todas as inovações estéticas de Acossado, o filme talvez exiba um feito ainda maior: de certa forma, antecipa a rebeldia da juventude que eclodiria em Maio de 68. O desprezo pelo sistema e o narcisismo juvenil dos personagens são a semente daquilo que iria acontecer 8 anos depois, que se tornou, até hoje, uma espécie de último suspiro de esperança por um mundo melhor.

Alysson Oliveira


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