Baseado em fatos reais

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Sinopse

Delphine é uma escritora de sucesso em crise criativa. Sua vida muda radicalmente ao conhecer uma fã, Elle, também escritora, e que promete à nova amiga que a ajudará a escrever sua obra-prima.


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Crítica Cineweb

17/01/2018

Em seu novo filme, Baseado em fatos reais, o cineasta Roman Polanski revisita temas, motivos e situações que lhe são caros – especialmente no seu cinema dos anos de 1970, como Repulsa ao sexo, O bebê de Rosemary e O Inquilino. Há aqui uma atmosfera intoxicante de obsessão e confusão mental de sua protagonista, a escritora Delphine Dayrieux (Emmanuelle Seigner), que acaba de publicar um livro sobre sua mãe, expondo sua família de maneira um tanto delicada – o que a tornou alvo de constantes ameaças de alguém que lhe envia cartas anônimas.
 
Delphine entra em crise. Está emocionalmente esgotada, não consegue escrever mais nada. Eis que surge uma fã, a também escritora Elle (Eva Green), cheia de atitude, que se instala na vida da protagonista e toma conta de tudo. Aos poucos, a presença dela se torna completamente necessária. Diz ter em mente o melhor dos interesses da nova amiga – a quem ajudará a escrever sua obra-prima.
 
O enredo se origina do livro homônimo da francesa Delphine de Vigan, que se coloca como personagem e realmente parte de fatos sobre sua própria vida – como o romance que escreveu sobre sua família. É uma história que joga com a realidade e a ficção e a dose de fantasia necessária para compor esta fusão. Por outro lado, é uma trama que funciona melhor no papel do que na tela. Embora o roteiro escrito por Polanski e o cineasta Olivier Assayas seja esforçado e, até certo ponto, eficiente, é impossível traduzir em filme toda a dinâmica de verdades e mentiras que está do original – ainda mais quando o filme depende de legendas. Por exemplo, no Brasil, a personagem de Green virou “Elle” – que corresponde ao pronome feminino “Ela”, em  francês–. Mas, no original, ela se chama apenas “L”.
 
De qualquer forma, Polanski investe na atmosfera de paranoia que cresce entre as duas. Elle é uma ghostwriter – o que, aliás, faz uma referência ao filme do diretor de 2010, o premiado O escritor fantasma –, e bastante discreta sobre o seu trabalho, segundo alega, devido a cláusulas contratuais de confidencialidade. A personalidade solitária da personagem é construída por pequenos detalhes e pelos olhos de Delphine.
 
Mistério não é o forte de Baseado em fatos reais, tanto que o filme nem espera criar uma reviravolta ao seu final. O que interessa a Polanski é a atmosfera e a relação tóxica entre as duas mulheres. Quando o namorado de Delphine, François (Vincent Perez), viaja para os EUA, Elle vê a chance de se instalar de vez na vida da outra, tornando-se essencial. Manda e-mails para todos os amigos e relações profissionais da protagonista, em nome da própria, pedindo para que se afastem dela, pois precisa concentrar-se no novo livro. Uma série de incidentes as colocam isoladas numa casa de campo.
 
Novamente, Polanski não busca o suspense e as ações, com as personagens distantes de tudo e tendo apenas uma à outra, não são tão tensas como poderiam ser. Mas é inegável que o filme é intrigante, com as duas atrizes em fina sintonia, elevando aquilo que poderia ser um suspense ruim, numa diversão – levemente esquecível, mas, ainda assim, divertido enquanto dura.

Alysson Oliveira


Trailer


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